Professores-empreendedores e a rede educativa empreendedora : uma cartografia do presente
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Data
2025Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Esta pesquisa insere-se nos debates sobre a constituição da docência na Contemporaneidade, com foco na discussão sobre a emergência de professores-empreendedores no interior de uma rede educativa empreendedora, situada na Governamentalidade Neoliberal. Como objetivo geral, visou problematizar, na Governamentalidade Neoliberal, a constituição e a operacionalização de uma rede educativa empreendedora, mapeando seus efeitos na produção de professores-empreendedores. A investigação situa-se no camp ...
Esta pesquisa insere-se nos debates sobre a constituição da docência na Contemporaneidade, com foco na discussão sobre a emergência de professores-empreendedores no interior de uma rede educativa empreendedora, situada na Governamentalidade Neoliberal. Como objetivo geral, visou problematizar, na Governamentalidade Neoliberal, a constituição e a operacionalização de uma rede educativa empreendedora, mapeando seus efeitos na produção de professores-empreendedores. A investigação situa-se no campo dos Estudos Culturais, utilizando como referencial teórico-metodológico o pensamento de Michel Foucault e autores alinhados ao rol dos estudos foucaultianos. A pesquisa adota a Cartografia como abordagem metodológica, desenvolvida em duas frentes investigativas. Na primeira, foi realizado o mapeamento de pistas nas redes sociais, em especial no Instagram, as quais evidenciam práticas e discursos relacionados à figura do professor-empreendedor, apontando as redes sociais como artefatos que dão visibilidade, sustentam e disseminam a lógica empreendedora na Educação. Na segunda frente, foi realizada a apresentação e a problematização de parte de uma rede educativa empreendedora, constituída pelo Neoliberalismo, a partir da análise de documentos, políticas curriculares e de avaliação, bem como normativas e sites institucionais. Esses materiais foram analisados com o conceito-ferramenta de Michel Foucault de governamentalidade. As análises empreendidas, a partir da crítica do presente, evidenciam as redes sociais como propulsoras da emergência de professores-empreendedores, corroborando o fenômeno da plataformização da sociedade e digitalização do trabalho, alinhadas à racionalidade neoliberal, que emana competências empreendedoras como forma de condução da população. No segundo momento analítico, mostra-se pistas de que maneira se constitui a rede educativa empreendedora, sendo formada por agendas internacionais, como a da OCDE, que homogenizam políticas, definem métricas e promovem a desestatização do Estado. Ao se dobrar às agendas internacionais, o Brasil adota o PISA como avaliação de larga escala da Educação, mensura e quantifica a Educação, enfraquece a pluralidade escolar, impacta currículos e autonomia docente e reforça a responsabilização por metas, acarretando na responsabilização do professor. Essas diretrizes constituem a BNCC, que reforça a lógica neoliberal voltada à produtividade e competitividade. A precarização e a desestatização do Estado, operacionalizadas por essa rede educativa empreendedora, educam o professor a encontrar, no empreendedorismo, uma nova forma de exercer sua docência. Nesse cenário, as competências empreendedoras, como autogestão, inovação, adaptabilidade e lifelong learning, passam a ser requisitos necessários para gerar Capital Humano, em um movimento em rede. Diante disso, considero que os efeitos da plataformização da vida e da digitalização do trabalho, preconizados pelo Neoliberalismo e conduzidos por discursos empreendedores, estes promovidos pela rede educativa empreendedora, viabilizam a precarização do Estado e da Educação, conduzindo os docentes, entre outras coisas, a se dobrarem a essa verdade e a se compreenderem como professores-empreendedores, lançando mão das redes sociais como estratégia para viver a docência na racionalidade neoliberal. ...
Abstract
This research is situated within debates on the constitution of teaching in Contemporary times, focusing on the discussion around the emergence of teacher-entrepreneurs within an entrepreneurial educational network, located in Neoliberal Governmentality. As a general objective, it sought to problematize, within neoliberal governmentality, the constitution and operationalization of an entrepreneurial educational network, mapping its effects on the production of teacher-entrepreneurs.The investig ...
This research is situated within debates on the constitution of teaching in Contemporary times, focusing on the discussion around the emergence of teacher-entrepreneurs within an entrepreneurial educational network, located in Neoliberal Governmentality. As a general objective, it sought to problematize, within neoliberal governmentality, the constitution and operationalization of an entrepreneurial educational network, mapping its effects on the production of teacher-entrepreneurs.The investigation is situated in the field of Cultural Studies, using Michel Foucault’s thought, along with authors aligned with Foucauldian studies, as its theoretical-methodological framework. The research adopts Cartography as a methodological approach, developed in two investigative fronts. The first involved mapping traces on social networks, particularly Instagram, which evidence practices and discourses related to the figure of the teacher-entrepreneur, highlighting social networks as artifacts that give visibility to, sustain, and disseminate the entrepreneurial logic in Education. The second front consisted of the presentation and problematization of part of an entrepreneurial educational network, constituted by Neoliberalism, based on the analysis of documents, curricular and assessment policies, as well as regulations and institutional websites. These materials were analyzed through Michel Foucault’s concept-tool of governmentality. The analyses undertaken, from the critique of the present, reveal social networks as drivers of the emergence of teacherentrepreneurs, corroborating the phenomenon of the platformization of society and the digitalization of work, aligned with neoliberal rationality, which emanates entrepreneurial competences as a way of conducting the population. In the second analytical moment, traces are shown of how the entrepreneurial educational network is constituted, being formed by international agendas, such as that of the OECD, which homogenize policies, define metrics, and promote the de-statization of the State. By bending to international agendas, Brazil adopts PISA as a large-scale assessment of Education, measures and quantifies Education, weakens school plurality, impacts curricula and teacher autonomy, and reinforces accountability for targets, which leads to teacher responsibility. These guidelines constitute the BNCC, which reinforces the neoliberal logic geared toward productivity and competitiveness.The precarization and de-statization of the State, operationalized by this entrepreneurial educational network, educate teachers to find in entrepreneurship a new way of exercising their teaching. In this scenario, entrepreneurial competences such as self-management, innovation, adaptability, and lifelong learning become necessary requirements to generate Human Capital, within a network movement. Therefore, I consider that the effects of the platformization of life and the digitalization of work, advocated by Neoliberalism and conducted by entrepreneurial discourses promoted by the entrepreneurial educational network, enable the precarization of the State and Education, leading teachers, among other things, to bend to this truth and to understand themselves as teacher-entrepreneurs, using social networks as a strategy to experience teaching within neoliberal rationality. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.
Coleções
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