A lógica da escolha na adesão ao tratamento do transtorno bipolar : uma etnografia da convivência com a bipolaridade
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Data
2026Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Este trabalho analisa como a adesão ao tratamento do transtorno bipolar está imbricada na lógica da escolha (Mol, 2008). A baixa adesão ao tratamento, para a psiquiatria, é um dos principais desafios em relação ao transtorno bipolar. Foram entrevistadas 4 pessoas que convivem com este diagnóstico há 5 anos ou mais, e fizeram o tratamento no sistema de saúde privado: Lune, Daniel, José e Clara (nomes fictícios). Busca-se compreender suas trajetórias com o diagnóstico: como se manifestam os sinto ...
Este trabalho analisa como a adesão ao tratamento do transtorno bipolar está imbricada na lógica da escolha (Mol, 2008). A baixa adesão ao tratamento, para a psiquiatria, é um dos principais desafios em relação ao transtorno bipolar. Foram entrevistadas 4 pessoas que convivem com este diagnóstico há 5 anos ou mais, e fizeram o tratamento no sistema de saúde privado: Lune, Daniel, José e Clara (nomes fictícios). Busca-se compreender suas trajetórias com o diagnóstico: como se manifestam os sintomas de mania e depressão, a relação com psiquiatras que consultaram, a centralidade dos psicofármacos no tratamento e seus impactos, as apropriações da linguagem médico-psiquiátrica e o (não) envolvimento de familiares e amigos no convívio com o transtorno bipolar. A autoetnografia é empregada como método de produção de conhecimento corporificada e de escrita, devido ao meu papel de pesquisadora e paciente psiquiátrica, em que me foi atribuído este diagnóstico. A hipótese é que a centralidade dos psicofármacos no tratamento evidencia que o transtorno bipolar se materializa na vida das pessoas a partir da prescrição e do gerenciamento dos psicofármacos. Desta forma, a adesão é parte importante da criação do sujeito racional da lógica da escolha, que escolhe a razão (aderir à medicação) em vez da libido. Assim, coloca-se no paciente a responsabilidade pelas escolhas que provocam efeitos indesejados. A materialização do transtorno bipolar vai ser continuamente atualizada através da escolha em aderir às recomendações do psiquiatra e aos psicofármacos. A adesão implica na noção prévia, apresentada pela psiquiatria e pela sociedade em geral, de que ela é a “melhor escolha”. Na “melhor escolha” está incluso o paciente psiquiátrico atestar que está comprometido na melhora da sua loucura, ou seja, está recuperando sua racionalidade. ...
Abstract
This work analyzes how adherence to treatment for bipolar disorder is intertwined with the logic of choice (Mol, 2008). From a psychiatric perspective, low treatment adherence is one of the main challenges regarding bipolar disorder. Four individuals living with this diagnosis for five years or more, and received treatment within the private healthcare system, were interviewed: Lune, Daniel, José, and Clara (fictitious names). The aim is to understand their diagnostic trajectories: how manic an ...
This work analyzes how adherence to treatment for bipolar disorder is intertwined with the logic of choice (Mol, 2008). From a psychiatric perspective, low treatment adherence is one of the main challenges regarding bipolar disorder. Four individuals living with this diagnosis for five years or more, and received treatment within the private healthcare system, were interviewed: Lune, Daniel, José, and Clara (fictitious names). The aim is to understand their diagnostic trajectories: how manic and depressive symptoms manifest, their relationship with the psychiatrists they consulted, the central role and impact of psychotropic medications in their treatment, their appropriation of medical-psychiatric language, and the (non) involvement of family members and friends in living with bipolar disorder. Autoethnography is used as a method of embodied knowledge production and a writing strategy, due to my role as both a researcher and psychiatric patient to whom this diagnosis was assigned. The hypothesis is that the centrality of psychotropic medication in treatment demonstrates that bipolar disorder materializes in people’s lives through the prescription and management of these drugs. Therefore, adherence becomes a key element in constructing the "rational subject" of the logic of choice—a subject who chooses reason (adhering to medication) over libido. Consequently, the responsibility for choices that lead to unwanted effects is placed upon the patient. The materialization of bipolar disorder is continuously enacted through the choice to adhere to psychiatric recommendations and psychotropic medication. Adherence implies the prior notion, promoted by psychiatry and society in general, that it represents the “best choice.” This “best choice” involves the psychiatric patient demonstrating that they are committed to improving their mental condition, that is, recovering their rationality. ...
Resumen
Este trabajo analiza cómo la adherencia al tratamiento para el trastorno bipolar se entrelaza con la lógica de la elección (Mol, 2008). La baja adherencia al tratamiento es uno de los principales desafíos para la psiquiatría en relación con el trastorno bipolar. Se entrevistó a cuatro personas que han vivido con este diagnóstico durante 5 años o más y recibieron tratamiento en el sistema de salud privado: Lune, Daniel, José y Clara (nombres ficticios). El objetivo es comprender sus trayectorias ...
Este trabajo analiza cómo la adherencia al tratamiento para el trastorno bipolar se entrelaza con la lógica de la elección (Mol, 2008). La baja adherencia al tratamiento es uno de los principales desafíos para la psiquiatría en relación con el trastorno bipolar. Se entrevistó a cuatro personas que han vivido con este diagnóstico durante 5 años o más y recibieron tratamiento en el sistema de salud privado: Lune, Daniel, José y Clara (nombres ficticios). El objetivo es comprender sus trayectorias con el diagnóstico: cómo se manifiestan los síntomas de manía y depresión, su relación con los psiquiatras que consultaron, la centralidad de los fármacos psicotrópicos en el tratamiento y sus impactos, su apropiación del lenguaje médico-psiquiátrico y la (no) implicación de familiares y amigos en la convivencia con el trastorno bipolar. Se emplea la autoetnografía como método de producción de conocimiento encarnado y escrito, debido a mi rol como investigadora y paciente psiquiátrica diagnosticada con este trastorno. La hipótesis plantea que la centralidad de los fármacos psicotrópicos en el tratamiento demuestra que el trastorno bipolar se manifiesta en la vida de las personas a través de la prescripción y el manejo de estos fármacos. De esta manera, la adherencia es fundamental para la formación del sujeto racional de la lógica de la elección, quien opta por la razón (adherirse a la medicación) en lugar de la libido. Así, la responsabilidad de las decisiones que provocan efectos indeseables recae sobre el paciente. La manifestación del trastorno bipolar se actualizará continuamente mediante la decisión de adherirse a las recomendaciones del psiquiatra y a los fármacos psicotrópicos. La adherencia implica la noción previa, presentada por la psiquiatría y la sociedad en general, de que es la "mejor opción". Esta "mejor opción" incluye que el paciente psiquiátrico atestibilice su compromiso con la mejora de su estado mental, es decir, con la recuperación de su racionalidad. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social.
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