Fundamentos históricos, teóricos e metodológicos do serviço Social no trabalho com famílias : tendências e desafios contemporâneos
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Data
2025Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
A presente dissertação de mestrado analisa os fundamentos históricos, teóricos e metodológicos do Serviço Social no trabalho com famílias, discutindo tendências e desafios contemporâneos à luz da teoria social crítica marxiana, articulada às contribuições de autoras feministas marxistas. A família é compreendida como uma construção histórica e social marcada por contradições de classe, gênero e raça, configurando-se tanto como espaço de reprodução da força de trabalho e das desigualdades no cap ...
A presente dissertação de mestrado analisa os fundamentos históricos, teóricos e metodológicos do Serviço Social no trabalho com famílias, discutindo tendências e desafios contemporâneos à luz da teoria social crítica marxiana, articulada às contribuições de autoras feministas marxistas. A família é compreendida como uma construção histórica e social marcada por contradições de classe, gênero e raça, configurando-se tanto como espaço de reprodução da força de trabalho e das desigualdades no capitalismo quanto de solidariedade e resistência. O estudo destaca a centralidade da família nas políticas sociais brasileiras, especialmente após a Constituição de 1988, evidenciando o caráter ambíguo desse processo: ao mesmo tempo em que incorpora a família como referência da ação estatal, transfere a ela responsabilidades que deveriam ser do Estado, reforçando a lógica neoliberal de desresponsabilização pública. A pesquisa adota uma abordagem bibliográfica e de campo, de natureza qualitativa, fundamentada no materialismo histórico-dialético. Para o tratamento dos dados, tanto bibliográficos quanto empíricos, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo de Bardin (2011), que possibilitou identificar categorias e sentidos presentes nas produções acadêmicas e nas falas das/os assistentes sociais. A coleta de dados de campo foi realizada por meio de entrevistas com nove assistentes sociais em diferentes áreas de atuação – saúde, assistência social e sociojurídico. Essa etapa evidenciou desafios impostos ao trabalho com famílias, como a precarização das políticas sociais, a insuficiência de recursos institucionais, as contradições entre demandas burocráticas e as necessidades reais das famílias, bem como a presença de valores conservadores e familistas que atravessam o trabalho profissional e as instituições. Ao mesmo tempo, emergem estratégias criativas e éticas na defesa de direitos, como o trabalho em grupos, o fortalecimento de vínculos comunitários e a construção de práticas intersetoriais que ampliam o acesso das famílias às políticas públicas. A pesquisa bibliográfica, por sua vez, foi realizada em 22 periódicos da área do Serviço Social, todos vinculados a Programas de Pós-Graduação stricto sensu, além de 2 revistas de circulação nacional relevantes para a área (Temporalis/ABEPSS e Serviço Social & Sociedade/Cortez). Ao todo, foram examinados 296 volumes, que reuniram 4.444 artigos. Destes, 161 foram inicialmente selecionados por conterem o descritor “família” em títulos, resumos ou palavras-chave e, após leituras sucessivas e aplicação de critérios de pertinência temática, restaram 8 artigos que compuseram a amostra final analisada. Esse levantamento demonstrou que, embora exista produção consistente sobre Fundamentos do Serviço Social e sobre a centralidade da família nas políticas sociais, ainda há escassez de estudos que articulem esses dois eixos de forma integrada, o que reforça a relevância da investigação desenvolvida. Os resultados evidenciam a permanência da herança conservadora na profissão, intensificada pela ascensão de projetos de extrema direita que reforçam a defesa da família nuclear tradicional e a criminalização da pobreza. Nesse contexto, a dissertação reafirma a necessidade de sustentar o trabalho profissional no Projeto Ético-Político do Serviço Social, comprometido com a justiça social, a emancipação humana e a defesa intransigente dos direitos. Por fim, a análise aponta que os fundamentos atuais do trabalho com famílias no Serviço Social se organizam em três eixos principais: o reconhecimento da diversidade familiar, a compreensão da proteção social como dever do Estado e direito das famílias, e o enfrentamento do conservadorismo ainda presente na profissão e na sociedade. ...
Abstract
This master’s dissertation analyzes the historical, theoretical, and methodological foundations of Social Work practice with families, discussing contemporary trends and challenges in light of Marxian critical social theory, articulated with contributions from Marxist feminist authors. The family is understood as a historical and social construction marked by class, gender, and racial contradictions, configured both as a space for the reproduction of labor power and social inequalities under ca ...
This master’s dissertation analyzes the historical, theoretical, and methodological foundations of Social Work practice with families, discussing contemporary trends and challenges in light of Marxian critical social theory, articulated with contributions from Marxist feminist authors. The family is understood as a historical and social construction marked by class, gender, and racial contradictions, configured both as a space for the reproduction of labor power and social inequalities under capitalism and as a locus of solidarity and resistance. The study highlights the centrality of the family in Brazilian social policies, especially since the 1988 Federal Constitution, emphasizing the ambiguous character of this process: while the family is incorporated as a reference for state action, it is simultaneously assigned responsibilities that should belong to the State, reinforcing a neoliberal logic of public disaccountability. The research adopts a qualitative approach, combining bibliographic and field research grounded in historical-dialectical materialism. Data analysis—both bibliographic and empirical—was conducted using Bardin’s (2011) content analysis technique, which enabled the identification of categories and meanings present in academic production and in the narratives of social workers. Field data were collected through interviews with nine social workers working in different areas—health, social assistance, and the socio-legal field. This stage revealed challenges faced in working with families, such as the precarization of social policies, insufficient institutional resources, contradictions between bureaucratic demands and families’ concrete needs, and the persistence of conservative and familistic values within professional practice and institutions. At the same time, ethical and creative strategies aimed at the defense of rights emerged, including group work, the strengthening of community ties, and the construction of intersectoral practices that expand families’ access to public policies. The bibliographic research examined 22 Social Work journals linked to stricto sensu graduate programs, as well as two nationally recognized journals in the field (Temporalis/ABEPSS and Serviço Social & Sociedade/Cortez). A total of 296 issues comprising 4,444 articles were analyzed. Of these, 161 articles containing the descriptor “family” in titles, abstracts, or keywords were initially selected, and after successive readings and thematic relevance criteria, eight articles constituted the final analytical sample. This mapping demonstrated that, although there is consistent production on the foundations of Social Work and on the centrality of the family in social policies, studies that integrate these two dimensions remain scarce, reinforcing the relevance of the present research. The findings reveal the persistence of the profession’s conservative legacy, intensified by the rise of far-right political projects that promote the defense of the traditional nuclear family and the criminalization of poverty. In this context, the dissertation reaffirms the need to ground professional practice in the Ethical-Political Project of Social Work, committed to social justice, human emancipation, and the uncompromising defense of rights. Finally, the analysis indicates that the current foundations of Social Work practice with families are organized around three main axes: the recognition of family diversity, the understanding of social protection as a duty of the State and a right of families, and the confrontation of conservatism still present in the profession and in society. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação Humana. Programa de Pós-Graduação em Política Social e Serviço Social.
Coleções
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Ciências Humanas (8369)
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