A biofilia no contexto da criticidade hospitalar : relações entre afetividade e norma a partir da Rede Sarah de Brasília
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Data
2025Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Os hospitais contemporâneos, concebidos sob uma perspectiva altamente técnica e funcional, priorizam o controle de infecções, a eficiência operacional e a segurança dos pacientes. Embora tais aspectos sejam fundamentais e amplamente regidos por normas como a RDC 50, que delimita níveis de criticidade para os ambientes de saúde, essa abordagem muitas vezes negligencia as dimensões subjetivas da experiência do indivíduo. O ambiente hospitalar, ao invés de atenuar, tende a intensificar sentimentos ...
Os hospitais contemporâneos, concebidos sob uma perspectiva altamente técnica e funcional, priorizam o controle de infecções, a eficiência operacional e a segurança dos pacientes. Embora tais aspectos sejam fundamentais e amplamente regidos por normas como a RDC 50, que delimita níveis de criticidade para os ambientes de saúde, essa abordagem muitas vezes negligencia as dimensões subjetivas da experiência do indivíduo. O ambiente hospitalar, ao invés de atenuar, tende a intensificar sentimentos de ansiedade, medo e vulnerabilidade, revelando a necessidade de um olhar mais humanizado e integrado ao cuidado. Nesse cenário, a biofilia emerge como estratégia relevante, ao propor a integração de elementos naturais nos espaços hospitalares. Reconhecida por reduzir o estresse ambiental, acelerar a recuperação e fortalecer o bem-estar, ela conecta os princípios da psicologia ambiental às exigências pragmáticas da arquitetura hospitalar.Apesar disso, a realidade hospitalar atual é restritiva, visto que alterações que interferem na dinâmica de controle de infecções exigem avaliação criteriosa da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Isso significa que considerar os aspectos subjetivos da arquitetura sem integrá-los às normas equivale a reconhecer sua importância, mas não assegurar sua viabilidade prática. Assim, compreender a divisão dos ambientes hospitalares segundo os níveis de criticidade e identificar as áreas mais abertas a adaptações torna-se fundamental para incentivar a implantação de estratégias biofílicas.Para tanto, esta pesquisa adotou a observação direta em duas unidades da Rede Sarah Kubitschek em Brasília, de modo a compreender como a biofilia pode ser inserida de forma normativa. A análise foi complementada por entrevista com uma arquiteta e urbanista responsável pela vigilância em estabelecimentos de saúde, a fim de aprofundar a compreensão sobre os fundamentos legislativos que orientam a aprovação de projetos hospitalares e de que forma os princípios biofílicos podem ser incorporados na prática.Os resultados revelaram que as unidades analisadas valorizam amplamente a ventilação e a iluminação natural, bem como a presença significativa de vegetação em espaços internos e externos, configurando estratégias biofílicas já consolidadas. As análises demonstraram que tais recursos se alinham às exigências normativas sem comprometer o controle de infecções, evidenciando a viabilidade da biofilia em ambientes hospitalares. Além disso, foram elaboradas tabelas de quantificação que identificaram diferentes níveis de integração, com maior incidência em áreas não críticas e semicríticas, mas também com possibilidades adaptáveis em setores críticos mediante estratégias indiretas.O material final incluiu uma tabela de análise da flora presente nos hospitais avaliados, acompanhada de recomendações sobre espécies vegetais adequadas ao contexto hospitalar, bem como um quadro de diretrizes gerais para aplicação da biofilia em ambientes críticos, semicríticos, não críticos e especiais.O principal resultado desta pesquisa consistiu em trazer à tona a biofilia frente ao seu maior contraponto na arquitetura hospitalar, o controle de infecções, evidenciando que ela pode ser aplicada de forma responsável, promovendo bem-estar aos usuários e incentivando a construção de ambientes de saúde mais sustentáveis e resilientes. ...
Abstract
Contemporary hospitals, conceived under a highly technical and functional perspective, prioritize infection control, operational efficiency, and patient safety. Although these aspects are fundamental and widely regulated by standards such as RDC 50, which defines levels of criticality for healthcare environments, this approach often neglects the subjective dimensions of individual experience. Rather than mitigating them, the hospital environment tends to intensify feelings of anxiety, fear, and ...
Contemporary hospitals, conceived under a highly technical and functional perspective, prioritize infection control, operational efficiency, and patient safety. Although these aspects are fundamental and widely regulated by standards such as RDC 50, which defines levels of criticality for healthcare environments, this approach often neglects the subjective dimensions of individual experience. Rather than mitigating them, the hospital environment tends to intensify feelings of anxiety, fear, and vulnerability, revealing the need for a more humanized and integrated perspective on care.In this context, biophilia emerges as a relevant strategy, proposing the integration of natural elements into hospital spaces. Recognized for reducing environmental stress, accelerating recovery, and strengthening well-being, it connects the principles of environmental psychology with the pragmatic demands of hospital architecture. Despite this, the current hospital reality is restrictive, since any changes that interfere with infection control dynamics require careful evaluation by the Hospital Infection Control Committee. This means that considering the subjective aspects of architecture without integrating them into regulatory frameworks amounts to recognizing their importance, but not ensuring their practical viability.Thus, understanding the classification of hospital environments according to levels of criticality and identifying areas more open to adaptations becomes essential to encourage the implementation of biophilic strategies. To this end, this research adopted direct observation in two units of the Sarah Kubitschek Network in Brasília, in order to understand how biophilia can be incorporated within normative parameters. The analysis was complemented by an interview with an architect and urban planner responsible for healthcare facility surveillance, aiming to deepen the understanding of the legislative foundations guiding hospital project approval and how biophilic principles can be incorporated in practice.The results revealed that the analyzed units widely value natural ventilation and lighting, as well as the significant presence of vegetation in both indoor and outdoor spaces, establishing already consolidated biophilic strategies. The analyses demonstrated that such resources align with regulatory requirements without compromising infection control, evidencing the feasibility of biophilia in hospital environments.Furthermore, quantification tables were developed to identify different levels of integration, with greater incidence in non-critical and semi-critical areas, but also with adaptable possibilities in critical sectors through indirect strategies. The final material included a table analyzing the flora present in the evaluated hospitals, accompanied by recommendations on plant species suitable for hospital contexts, as well as a framework of general guidelines for applying biophilia in critical, semi-critical, non-critical, and special environments.The main outcome of this research was to bring biophilia to the forefront of its greatest counterpoint within hospital architecture, infection control, demonstrating that it can indeed be responsibly applied, promoting user well-being and fostering the development of more sustainable and resilient healthcare environments. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Arquitetura. Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura.
Coleções
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