Cruzando Porto Alegre de bicicleta : uma análise interseccional sobre o pedalar na capital gaúcha
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Data
2025Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
A partir das vivências do autor, surgem as questões centrais: quem são as pessoas que pedalam em Porto Alegre e quais são suas motivações para pedalar e problemas enfrentados nos deslocamentos por bicicleta na cidade? As evidências científicas afirmam que diferentes grupos sociais têm níveis diversos de mobilidades e padrões de comportamentos de deslocamentos distintos. Com o paradigma das Novas Mobilidades pesquisadoras começam a olhar para o problema das mobilidades através de uma perspectiva ...
A partir das vivências do autor, surgem as questões centrais: quem são as pessoas que pedalam em Porto Alegre e quais são suas motivações para pedalar e problemas enfrentados nos deslocamentos por bicicleta na cidade? As evidências científicas afirmam que diferentes grupos sociais têm níveis diversos de mobilidades e padrões de comportamentos de deslocamentos distintos. Com o paradigma das Novas Mobilidades pesquisadoras começam a olhar para o problema das mobilidades através de uma perspectiva sociológica, abandonando em parte a visão tecnocrática predominantemente quantitativa. Essa matriz teórica se une à teoria Interseccional para explorar as motivações e desafios da mobilidade por bicicleta, em busca de análises sobre as desigualdades sociais nas sobreposições das formas de opressão que moldam as experiências do pedalar. A pesquisa é dividida em duas etapas analíticas, transicionando de um método quantitativo para um qualitativo. Na primeira, foram analisados os perfis de ciclistas de 11 capitais brasileiras com base na Pesquisa Perfil Ciclista Brasileiro de 2021 dando origem aos Índices de Mobilidade por Bicicleta (IMB) e de Mobilidade Interseccional por Bicicleta (IMIB) para indicar o grau de mobilidade por bicicleta de grupos sociais. Os resultados desta etapa mostram que o sexo biológico é a característica determinante nos deslocamentos por bicicleta, ao mesmo tempo que é a única que afeta de forma similar essas dinâmicas nas cidades estudadas. Ao se expandir para raça, escolaridade e suas interseccionalidades, verificou-se que não há um único contexto social, entretanto, observam-se padrões de mobilidade por bicicleta relativamente uniformes nas cidades estudadas. Ainda, nos perfis interseccionais, uma característica pode determinar imobilidade ou hipermobilidade a depender da outra característica associada, ou seja, há interação entre os fatores. Na segunda etapa, os perfis interseccionais com maiores e menores índices em Porto Alegre - cidade objeto do estudo qualitativo - foram então postos em foco. Através de entrevistas semiestruturadas, as semelhanças e diferenças das “biografias de mobilidade” de cada perfil foram buscadas e, a seguir, investigados os principais desafios e incentivos que moldam o pedalar de cada grupo e quais desses elementos são compartilhados entre interseccionalidades, utilizando a análise de conteúdo de Bardin. Nisso, surgiram diferentes vivências que impactaram o uso da bicicleta ao longo das biografias: hora experiências são comuns a todas pessoas entrevistadas, hora elas aparecem delimitadas a grupos sociais. O hábito de pedalar se mostrou complexo, com diversas nuances e percepções ao longo da vida. A diferenciação entre o pedalar lúdico e o utilitário surgiu como uma barreira para a definição do que se é ser ciclista, ao mesmo tempo em que o lazer foi muitas vezes o disparador para se pedalar. O ambiente construído e a acessibilidade também foram problemáticas recorrentes, no entanto, essas adversidades têm impactos dessemelhantes para cada intersecção. Com esses e outros achados são demonstradas as generalidades e especificidades dos problemas que impactam na mobilidade cicloviária dos diferentes perfis interseccionais. Assim, aprofunda-se o debate sobre as novas mobilidades, mostrando que o deslocamento urbano não é um acontecimento neutro em um espaço em branco, mas sim uma relação social complexa com o movimento. ...
Abstract
From the author's experiences, the central questions arise: who are the people who cycle in Porto Alegre, and what are their motivations for cycling and problems faced when commuting by bicycle in the city? Scientific evidence states that different social groups have diverse levels of mobility and distinct commuting behavior patterns. With the New Mobilities paradigm, researchers began to look at the problem of mobilities through a sociological perspective, partly abandoning the predominantly q ...
From the author's experiences, the central questions arise: who are the people who cycle in Porto Alegre, and what are their motivations for cycling and problems faced when commuting by bicycle in the city? Scientific evidence states that different social groups have diverse levels of mobility and distinct commuting behavior patterns. With the New Mobilities paradigm, researchers began to look at the problem of mobilities through a sociological perspective, partly abandoning the predominantly quantitative technocratic view. This theoretical framework unites with the Intersectional theory to explore the motivations and challenges of bicycle mobility, seeking analyses of social inequalities in the overlapping forms of oppression that shape cycling experiences. The research is divided into two analytical stages, transitioning from a quantitative to a qualitative method. In the first stage, the profiles of cyclists from 11 Brazilian capitals were analyzed based on the 2021 Pesquisa Perfil Ciclista Brasileiro, giving rise to the Índice de Mobilidade por Bicicleta (IMB) and Índice de Mobilidade Interseccional por Bicicleta (IMIB) to indicate the degree of bicycle mobility of social groups. The results of this stage show that biological sex is the determining characteristic in bicycle commutes, while also being the only one that similarly affects these dynamics in the cities studied. Expanding to race, schooling, and their intersectionalities, it was found that there is no single social context; however, relatively uniform bicycle mobility patterns are observed in the cities studied. Furthermore, in intersectional profiles, one characteristic can determine immobility or hypermobility depending on the other associated characteristic, meaning there is interaction between the factors. In the second stage, the intersectional profiles with the highest and lowest indexes in Porto Alegre - the city object of the qualitative study - were then brought into focus. Through semistructured interviews, the similarities and differences in the "mobility biographies" of each profile were sought, and subsequently, the main challenges and incentives that shape the cycling of each group and which of these elements are shared among intersectionalities were investigated, using Bardin's Content Analysis. In this, different experiences emerged that impacted bicycle use throughout the biographies: sometimes experiences are common to all interviewed individuals, sometimes they appear delimited to social groups. The habit of cycling proved to be complex, with various nuances and perceptions throughout life. The differentiation between recreational and utilitarian cycling emerged as a barrier to defining what it means to be a cyclist, while leisure was often the trigger for cycling. The built environment and accessibility were also recurring problems; however, these adversities have dissimilar impacts for each intersection. With these and other findings, the generalities and specificities of the problems that impact the cycling mobility of different intersectional profiles are demonstrated. Thus, the debate on new mobilities is deepened, showing that urban displacement is not a neutral event in a blank space, but rather a complex social relationship with movement. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Arquitetura. Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional.
Coleções
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Ciências Sociais Aplicadas (6444)
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