Episódios de injustiça epistêmica na vivência e prática acadêmica das pesquisadoras negras da Ciência da Informação
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Data
2024Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
O presente estudo investigou as percepções das pesquisadoras negras da Ciência da Informação acerca das implicações da injustiça epistêmica nos espaços acadêmicos. A discussão teórica aborda os conceitos de epistemicídio, colonialidade, decolonialidade, movimentos epistemológicos da Ciência da Informação, injustiça epistêmica, pacto da branquitude e privilégio epistêmico. Esta pesquisa caracterizase como qualitativa e exploratória, buscando responder empiricamente ao problema de pesquisa por me ...
O presente estudo investigou as percepções das pesquisadoras negras da Ciência da Informação acerca das implicações da injustiça epistêmica nos espaços acadêmicos. A discussão teórica aborda os conceitos de epistemicídio, colonialidade, decolonialidade, movimentos epistemológicos da Ciência da Informação, injustiça epistêmica, pacto da branquitude e privilégio epistêmico. Esta pesquisa caracterizase como qualitativa e exploratória, buscando responder empiricamente ao problema de pesquisa por meio de entrevistas semi-estruturadas realizadas com sete pesquisadoras negras da Ciência da Informação. Os relatos das pesquisadoras foram apresentados sob pseudônimos escolhidos por elas: Beatriz Nascimento, Beyoncé, Débora, Maya Angelou, Expedita, Maria Antonieta e Aqualtune. O método utilizado para análise das entrevistas foi a análise episódica de Grada Kilomba, de forma que cada uma das perguntas gerou sete episódios de injustiça epistêmica no meio acadêmico. As análises dos episódios se dividiram em: Materialização da injustiça epistêmica na vivência e nas práticas acadêmicas das pesquisadoras; A discriminação durante a jornada acadêmica; O não-pertencimento em situações de tomada de decisões; Políticas institucionais e a perpetuação da injustiça epistêmica na academia e Estratégias de enfrentamento. Como conclusão, constatamos que as injustiças epistêmicas se sustentam pela deslegitimação e descredibilização do conhecimento proveniente de grupos sociais considerados subalternos, como as mulheres negras. Nesse ambiente, elas enfrentam diversas situações de não reconhecimento de suas contribuições epistêmicas. Ademais, as ações institucionais perpetuam tais injustiças por meio do silenciamento, da falta de conscientização e da ausência de punição diante das violências, além da deslegitimação de suas vozes e denúncias. No entanto, as pesquisadoras continuam resistindo ao ambiente hostil que as cerca, buscando apoio entre seus pares acadêmicos que compartilham de suas dores e realidades semelhantes. ...
Abstract
The present study investigated the perceptions of Black researchers in Information Science regarding the implications of epistemic injustice in academic spaces. The theoretical discussion addresses the concepts of epistemicide, coloniality, decoloniality, epistemological movements in Information Science, epistemic injustice, the pact of whiteness, and epistemic privilege. This research is characterized as qualitative and exploratory, seeking to empirically address the research problem through s ...
The present study investigated the perceptions of Black researchers in Information Science regarding the implications of epistemic injustice in academic spaces. The theoretical discussion addresses the concepts of epistemicide, coloniality, decoloniality, epistemological movements in Information Science, epistemic injustice, the pact of whiteness, and epistemic privilege. This research is characterized as qualitative and exploratory, seeking to empirically address the research problem through semi-structured interviews conducted with seven Black researchers in Information Science. The researchers' accounts were presented under pseudonyms chosen by them: Beatriz Nascimento, Beyoncé, Débora, Maya Angelou, Expedita, Maria Antonieta, and Aqualtune. The method used for analyzing the interviews was Grada Kilomba's episodic analysis, so that each question generated seven episodes of epistemic injustice within academia. The analyses of the episodes were divided into: Materialization of epistemic injustice in the experiences and academic practices of the researchers; Discrimination during the academic journey; Non-belonging in decisionmaking situations; Institutional policies and the perpetuation of epistemic injustice in academia; and Coping strategies. In conclusion, we found that epistemic injustices are sustained by the delegitimization and discrediting of knowledge coming from social groups considered subaltern, such as Black women. In this environment, they face various situations of non-recognition of their epistemic contributions. Moreover, institutional actions perpetuate such injustices through silencing, lack of awareness, and absence of punishment in the face of violence, as well as the delegitimization of their voices and complaints. However, the researchers continue to resist the hostile environment surrounding them, seeking support among their academic peers who share similar pains and realities. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação.
Coleções
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Ciências Sociais Aplicadas (6174)
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