Acompanhamento da condição pós COVID-19 e implicações na saúde mental de trabalhadores de saúde : estudo de métodos mistos
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Data
2026Autor
Orientador
Nível acadêmico
Doutorado
Tipo
Assunto
Resumo
Introdução: a condição pós-COVID-19 é um problema de saúde pública que se caracteriza pela persistência de sintomas que impactam múltiplos sistemas orgânicos. Apesar da importância desse fenômeno, a prevalência e implicações dessa condição são de difícil estimativa. Os efeitos tardios da COVID-19 ainda representam uma lacuna na literatura, especialmente no Brasil e é inexplorado em trabalhadores da saúde. O presente estudo investiga os sintomas pós-COVID-19 entre trabalhadores de saúde e suas i ...
Introdução: a condição pós-COVID-19 é um problema de saúde pública que se caracteriza pela persistência de sintomas que impactam múltiplos sistemas orgânicos. Apesar da importância desse fenômeno, a prevalência e implicações dessa condição são de difícil estimativa. Os efeitos tardios da COVID-19 ainda representam uma lacuna na literatura, especialmente no Brasil e é inexplorado em trabalhadores da saúde. O presente estudo investiga os sintomas pós-COVID-19 entre trabalhadores de saúde e suas implicações na saúde mental, particularmente em relação à depressão, ansiedade e insônia, podendo interferir no cotidiano de vida e trabalho. Objetivo: analisar os sintomas clínicos pós-COVID-19 e as suas implicações sobre a saúde mental, com ênfase em depressão, ansiedade e insônia, de trabalhadores área da saúde. Métodos: estudo de métodos mistos de estratégia explanatória sequencial QUAN-qual, realizado em um complexo de saúde de grande porte sul-brasileiro, incluindo amostra probabilística de 276 trabalhadores de saúde com histórico de infecção por COVID-19 no período pandêmico. A etapa quantitativa constou em uma coorte prospectiva, com análise documental no período da infecção aguda pelo SARS-Cov-2 (janeiro de 2020 a julho de 2022) e coleta de dados presencial (abril de 2023 a janeiro de 2024) referente aos sintomas que persistiram após 3 meses e após 1 ano da doença, com aplicação de questionário para rastrear sintomas pós-COVID, autoavaliação de saúde, o Patient Health Questionnaire-9, Generalized Anxiety Disorder-7, e Índice de Gravidade de Insônia. A etapa qualitativa foi conduzida sequencialmente, através de 12 entrevistas. Os dados quantitativos foram submetidos à estatística descritiva e analítica e sobre os dados qualitativos fez-se análise de conteúdo do tipo temática, sendo os mesmos integrados por conexão, com uso de joint display. Estudo aprovado nos comitês de ética correspondentes (CAAE nº 59686122.3.0000.5347 e 59686122.3.3001.5530), com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: a amostra foi constituída, predominantemente, por mulheres (78,6%) e técnicos/auxiliares de enfermagem (52,2%). Identificou-se redução significativa dos sintomas ao longo do tempo, com a maior persistência após um ano das alterações de memória/concentração/fala (28,3%), fadiga (17,2%), ansiedade (16,1%) e artralgia (9%) Encontrou-se insônia (44,6%), depressão (23,6%) e ansiedade (14,9%) na amostra, sendo a idade protetora para depressão (RI = 0,953; p < 0,001) e ansiedade (RI 0,944; P=0,01), já cefaleia, fadiga crônica e alterações cardiovasculares foram fatores de risco para depressão, ansiedade. Quanto à insônia, o sexo masculino teve menor risco (RI=0,610, p=0,028) e a reinfecção por COVID-19 (RI 2,88, p<0,001), cefaleia, fadiga e tosse foram associadas a maior risco. Na etapa qualitativa foram identificadas seis categorias principais, que versaram sobre a convivência com sintomas muitas vezes duradouros e de impacto indesejável no desempenho profissional e na saúde dos trabalhadores. A integração dos dados destacou que os sintomas comprometeram a realização de atividades laborais e a segurança do paciente, com predominância de metainferências convergentes e complementares, com exceção da insônia. O apoio em saúde mental foi insuficiente durante e após a pandemia. Conclusões: Os achados evidenciam a persistência de sintomas clínicos relevantes entre trabalhadores da saúde um ano após a infecção por COVID-19, com implicações ocupacionais e necessidade de estratégias de vigilância e suporte prolongado. ...
Abstract
Introduction: Post–COVID-19 condition is a public health problem characterized by the persistence of symptoms that affect multiple organ systems. Despite the relevance of this phenomenon, its prevalence and implications are difficult to estimate. The late effects of COVID-19 remain a gap in the literature, particularly in Brazil, and are largely unexplored among healthcare workers. This study investigates post–COVID-19 symptoms among healthcare workers and their implications for mental health, ...
Introduction: Post–COVID-19 condition is a public health problem characterized by the persistence of symptoms that affect multiple organ systems. Despite the relevance of this phenomenon, its prevalence and implications are difficult to estimate. The late effects of COVID-19 remain a gap in the literature, particularly in Brazil, and are largely unexplored among healthcare workers. This study investigates post–COVID-19 symptoms among healthcare workers and their implications for mental health, particularly depression, anxiety, and insomnia, which may interfere with daily life and work activities. Objective: To analyze post–COVID-19 clinical symptoms and their implications for mental health—specifically depression, anxiety, and insomnia—among health workers. Methods: This mixed-methods study used a sequential explanatory QUAN-qual design and was conducted in a large healthcare complex in southern Brazil. A probabilistic sample of 276 healthcare workers with a history of COVID-19 infection during the pandemic period was included. The quantitative phase consisted of a prospective cohort with documentary analysis during the acute SARS-CoV-2 infection period (January 2020 to July 2022) and in-person data collection (April 2023 to January 2024) addressing symptoms persisting after 3 months and after 1 year. Data collection included a questionnaire to screen for post–COVID-19 symptoms, self-rated health, the Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9), the Generalized Anxiety Disorder-7 (GAD-7), and the Insomnia Severity Index (ISI). The qualitative phase was conducted sequentially through 12 interviews. Quantitative data were analyzed using descriptive and inferential statistics, while qualitative data underwent thematic content analysis. Data integration was achieved through connection using joint displays. The study was approved by the relevant research ethics committees (CAAE No. 59686122.3.0000.5347 and 59686122.3.3001.5530), and all participants provided written informed consent. Results: The sample was predominantly female (78.6%) and composed mainly of nursing technicians/assistants (52.2%). A significant reduction in symptoms over time was observed; however, after one year, the most persistent symptoms were memory impairment/difficulty concentrating (28.3%), fatigue (17.2%), anxiety (16.1%), and arthralgia (9.0%). The prevalence of insomnia (44.6%), depression (23.6%), and anxiety (14.9%) was identified. Age was a protective factor for depression (RR = 0.953; p < 0.001) and anxiety (RR = 0.944; p = 0.01), whereas headache, chronic fatigue, and cardiovascular changes were risk factors for depression and anxiety. Regarding insomnia, male sex was associated with a lower risk (RR = 0.610; p = 0.028), while COVID-19 reinfection (RR = 2.88; p < 0.001), headache, fatigue, and cough were associated with a higher risk. In the qualitative phase, six main categories were identified, addressing the experience of living with often long-lasting symptoms that negatively affected professional performance and workers’ health. Data integration highlighted that symptoms compromised work activities and patient safety, with predominantly convergent and complementary meta-inferences, except for insomnia. Mental health support was insufficient during and after the pandemic. Conclusions: The findings demonstrate the persistence of clinically relevant symptoms among healthcare workers one year after COVID-19 infection, with important occupational implications and a clear need for long-term surveillance strategies and sustained support. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Enfermagem. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem.
Coleções
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Ciências da Saúde (10054)Enfermagem (720)
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