Perfil epidemiológico de pacientes avaliados por suspeita de sobrecarga de ferro : análise de 14 anos em um centro de referência do Sul do Brasil
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Data
2026Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Introdução: A hiperferritinemia é um achado frequente na prática clínica e possui etiologias diversas, que incluem desde processos inflamatórios e metabólicos até sobrecarga férrica verdadeira genética, como na hemocromatose hereditária (HH). No Brasil, a heterogeneidade étnica e a variação regional na prevalência das mutações do gene HFE podem modificar a expressão fenotípica da doença, tornando fundamental compreender como marcadores laboratoriais e genótipos se comportam em populações miscig ...
Introdução: A hiperferritinemia é um achado frequente na prática clínica e possui etiologias diversas, que incluem desde processos inflamatórios e metabólicos até sobrecarga férrica verdadeira genética, como na hemocromatose hereditária (HH). No Brasil, a heterogeneidade étnica e a variação regional na prevalência das mutações do gene HFE podem modificar a expressão fenotípica da doença, tornando fundamental compreender como marcadores laboratoriais e genótipos se comportam em populações miscigenadas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever o perfil clínico, laboratorial e genético de pacientes investigados entre 2010 e 2024 por suspeita de sobrecarga de ferro em um hospital universitário do sul do Brasil, analisando diferenças entre portadores e não portadores de mutações HFE, comparando genótipos, padrões de zigosidade e avaliando influência do sexo nos desfechos laboratoriais. Metodologia: Trata-se de um estudo retrospectivo com 278 pacientes investigados entre 2010 e 2024. Foram analisadas variáveis demográficas, laboratoriais, presença de comorbidades e genótipos HFE. Comparações foram realizadas conforme sexo, tipo de mutação e padrão de zigosidade, utilizando testes não paramétricos. Resultados: Entre os indivíduos avaliados, 54% apresentavam mutação no HFE, sendo os genótipos mais frequentes H63D/WT (23,7%) e C282Y/C282Y (10,8%). Homens foram diagnosticados mais precocemente (55 vs. 60 anos; p < 0,01) e apresentaram ferritina significativamente mais elevada (950 vs. 609 ng/mL; p = 0,03). A homozigose C282Y exibiu fenótipo mais expressivo, com saturação da transferrina mediana de 88%. Os grupos H63D/WT e WT/WT demonstraram perfis laboratoriais semelhantes, reforçando que hiperferritinemia significativa pode ocorrer mesmo na ausência de variantes HFE. A ferritina não discriminou genótipos (p = 0,465). A análise por zigosidade revelou tendência de maior ferritina em homozigotos (p = 0,057) e diferenças marcantes na saturação da transferrina (p < 0,001). A ressonância magnética demonstrou sobrecarga hepática grave predominantemente em homozigotos C282Y. Conclusão: Os achados deste estudo ampliam o entendimento da hiperferritinemia em nossa população, alinhando-se em grande parte à literatura internacional, especialmente quanto à maior expressividade clínica dos homens e à associação entre a homozigose C282Y com níveis elevados de ferritina e saturação da transferrina. Contudo, diferenças relevantes emergiram ao compararmos com estudos europeus, como a maior expressividade fenotípica de genótipos envolvendo a mutação H63D, inclusive em heterozigotos simples, além da identificação de mutações relevantes mesmo em pacientes com saturação da transferrina inferior a 40%. Tais particularidades podem refletir a composição genética diversa do sul do Brasil, bem como influências ambientais e culturais. Assim, os resultados reforçam a necessidade de uma avaliação clínica e laboratorial mais sensível e integrada para suspeita de hemocromatose hereditária, para reduzir o subdiagnóstico e orientar adequadamente as condutas. ...
Abstract
Introduction: Hyperferritinemia is a frequent finding in clinical practice and has diverse etiologies, ranging from inflammatory and metabolic processes to true genetic iron overload, such as hereditary hemochromatosis (HH). In Brazil, ethnic heterogeneity and regional variation in the prevalence of HFE gene mutations may modify the phenotypic expression of the disease, making it essential to understand how laboratory markers and genotypes behave in admixed populations. Objective: This study ai ...
Introduction: Hyperferritinemia is a frequent finding in clinical practice and has diverse etiologies, ranging from inflammatory and metabolic processes to true genetic iron overload, such as hereditary hemochromatosis (HH). In Brazil, ethnic heterogeneity and regional variation in the prevalence of HFE gene mutations may modify the phenotypic expression of the disease, making it essential to understand how laboratory markers and genotypes behave in admixed populations. Objective: This study aimed to describe the clinical, laboratory, and genetic profile of patients investigated between 2010 and 2024 for suspected iron overload at a university hospital in southern Brazil, analyzing differences between carriers and non-carriers of HFE mutations, comparing genotypes and zygosity patterns, and assessing the influence of sex on laboratory outcomes. Methods: This was a retrospective study including 278 patients investigated between 2010 and 2024. Demographic variables, laboratory parameters, comorbidities, and HFE genotypes were analyzed. Comparisons were performed according to sex, mutation type, and zygosity pattern using non-parametric tests. Results: Among the individuals evaluated, 54% carried an HFE mutation, with the most frequent genotypes being H63D/WT (23.7%) and C282Y/C282Y (10.8%). Men were diagnosed earlier (55 vs. 60 years; p < 0.01) and had significantly higher ferritin levels (950 vs. 609 ng/mL; p = 0.03). C282Y homozygosity exhibited the most expressive phenotype, with a median transferrin saturation of 88%. The H63D/WT and WT/WT groups showed similar laboratory profiles, reinforcing that significant hyperferritinemia may occur even in the absence of HFE variants. Ferritin did not discriminate genotypes (p = 0.465). Zygosity analysis revealed a trend toward higher ferritin in homozygotes (p = 0.057) and marked differences in transferrin saturation (p < 0.001). Magnetic resonance imaging showed severe hepatic iron overload predominantly in C282Y homozygotes. Conclusion: The findings of this study expand the understanding of hyperferritinemia in our population, being largely consistent with the international literature, particularly regarding the greater clinical expressivity in men and the association between C282Y homozygosity and elevated ferritin and transferrin saturation. However, relevant differences emerged when compared with European studies, such as the greater phenotypic expressivity of genotypes involving the H63D mutation—even in simple heterozygotes—and the identification of pathogenic variants in patients with transferrin saturation below 40%. These particularities may reflect the diverse genetic background of southern Brazil, as well as environmental and cultural influences. Thus, the results reinforce the need for a more sensitive and integrated clinical and laboratory evaluation when hereditary hemochromatosis is suspected, in order to reduce underdiagnosis and appropriately guide clinical management.lights the need for integrated, sensitive diagnostic strategies adapted to the local context. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Medicina: Ciências Médicas.
Coleções
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Ciências da Saúde (10054)Ciências Médicas (1632)
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