The postcolonial body in side in Wide Sargasso Sea
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Data
1998Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Abstract
Jean Rhys's last novel, Wide Sargasso Sea, is also her masterwork. First of all because in it Rhys manages to present a rewriting of Charlotte Brontë's Jane Eyre under the perspective of Mr. Rochester's lunatic first wife, Jamaican born Bertha Mason, for whom Brontë only allows a short participation in the story. In the Victorian book, this character appears just as a brief obstacle in the protagonist's way in her search for true love and independence. In second place, Rhys succeeds in construc ...
Jean Rhys's last novel, Wide Sargasso Sea, is also her masterwork. First of all because in it Rhys manages to present a rewriting of Charlotte Brontë's Jane Eyre under the perspective of Mr. Rochester's lunatic first wife, Jamaican born Bertha Mason, for whom Brontë only allows a short participation in the story. In the Victorian book, this character appears just as a brief obstacle in the protagonist's way in her search for true love and independence. In second place, Rhys succeeds in constructing a narrative which denounces the exploration / exploitation of people by people. Considering the idea that the physical body can be representative of postcolonial identity, this work focuses on Wide Sargasso Sea through the perspective of feminism and postcolonialism. The first chapter of this work presents the two theories mentioned, but also, in the last section, the concepts of postmodern parody and a study on postcolonial protagonists' choice for self annihilation have been inserted. Since Rhys's text is a parody of Brontë's, the two writers' lives and the two societies, English and Jamaican, at the time that both stories take place, are compared so as to establish the similarities and differences between the two works. This is the topic of the second chapter. As the object of study is Rhys's text and her talent for writing, and as she is not a very well-known writer in Brazil, a brief bibliography is included and also used to show how several themes and elements of her style appear every now and then. This characteristic of her way of writing allow critics to see her novels and short stories as many versions of the same story, that of a person totally incapable of relating to others since she does not belong anywhere. The last chapter of this work brings the analysis of Wide Sargasso Sea where the aspects that make this text a good representative of the postcolonial novel in which the protagonist's violent end is the only choice are pinpointed. ...
Resumo
Wide Sargasso Sea, o último romance de Jean Rhys, é também sua obra prima. Podemos dizer isto porque, em primeiro lugar, Rhys faz dela uma reescritura de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, sob a perspectiva da louca primeira esposa do Senhor Rochester, Bertha Mason, para quem Bronte destinou apenas curtas intromissões na história. No livro da escritora inglesa, esta personagem aparece apenas como um empecilho passageiro na trajetória da protagonista em sua busca pelo amor verdadeiro e independênci ...
Wide Sargasso Sea, o último romance de Jean Rhys, é também sua obra prima. Podemos dizer isto porque, em primeiro lugar, Rhys faz dela uma reescritura de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, sob a perspectiva da louca primeira esposa do Senhor Rochester, Bertha Mason, para quem Bronte destinou apenas curtas intromissões na história. No livro da escritora inglesa, esta personagem aparece apenas como um empecilho passageiro na trajetória da protagonista em sua busca pelo amor verdadeiro e independência. Em segundo lugar, Rhys é bem sucedida na construção de uma narrativa que denuncia a exploração do ser humano pelo ser humano. Até Rochester, que é em grande parte responsável pela ruína de Bertha, renomeada deAntoinette em WSS, é visto como vitima da ambição de seu pai. Rhys também contrasta a exuberância dos cenários naturais da Jamaica do século dezenove com a violência resultante do conflito entre origens, cor da pele e padrões morais do colonizador e do colonizado. Considerando a idéia que o corpo fisico pode ser representativo da identidade pós-colonial, este trabalho focaliza Wide Sargasso Sea sob a perspectiva do feminismo e do pós-colonialismo. Desta forma, o primeiro capitulo apresenta as duas teorias já mencionadas, as quais agrupamos o conceito de paródia pós-moderna, de Linda Hutcheon, e o estudo de Françoise Lionnet sobre textos pós-coloniais em que as protagonistas optam pela auto-aniquilação como forma de escapar da opressão do colonialismo. O único texto utilizado que remete ao feminismo é The Madwoman in the Attic, de Susan Gubar e Sandra Gilbert, onde as autoras defendem a metáfora de anjo e monstro como caracterizadora da protagonista e sua antagonista, representando a última, na verdade, a força revolucionária da qual a primeira não é capaz. Em Jane Eyre, Gilbert e Gubar vêem Bertha como o monstro, alterego de Jane, e Jane como o anjo. Entretanto, este trabalho vê Jane tanto em um quanto em outro, pois ela é articulada. Ela só age de acordo com as normas sociais quando tais servem aos seus propósitos de busca de auto-realização. Bertha, por sua vez, não é uma transgressora, já que não possui qualquer força expressiva na trama. Seu único ato constitui-se em, de uma forma ou de outra, liberar o caminho para Jane e Rochester. Em termos de pós-colonialismo, uma de suas grandes virtudes é a resistência ao colonialismo, seja através de posicionamentos que antagonizem as duas práticas ou através dos textos de ficção desenvolvidos nas ex-colônias européias. Neste último caso, é importante citar Françoise Lionnet, cujo estudo acerca de pantos comuns em textos pós-coloniais revela a tendência existente entre as protagonistas de livros escritos por mulheres, de fuga do abuso de poder através do suicídio. Para Lionnet, como o corpo é o veiculo mais utilizado para práticas de controle sobre o indivíduo, tais como a tortura, em qualquer sociedade opressora, a única saída possível é a eliminação do objeto da opressão; neste caso, o corpo fisico. Para entrar na discussão sobre a paródia pós-moderna, este trabalho traz um rápido esboço da paródia moderna, bem apresentada por Margaret Rose em seu livro Parody: Ancient, Modern and Post-Modern. Para Rose, a paródia moderna é um instrumento literário que possui a forte característica de fazer graça sobre o texto no qual se baseia. Rose toma por principio a idéia de Mikhail Bakhtin de que todo texto paródico aproveita os pontos "hostis" do texto original que podem ser utilizados contra este último. JA Linda Hutcheon, em A Poetics of Postmodernis' nt define a paródia pós moderna como aquela que, mais do que fazer graça, ironiza o texto parodiado e reassume o caráter didático da paródia clássica. Para ela, acima de tudo, a paródia constitui-se na "reverência" As representações da história ao mesmo tempo que lhes traz um ar de mudança, representado pela ironia. Neste sentido, Hutcheon renomeia a paródia pós-moderna como metaficpdo historiográfica, pois o vinculo entre história e a literatura que se faz a partir dela é bastante estreito. É devido a esta característica que Hutcheon acredita que a paródia pós moderna é o veiculo ideal através do qual grupos marginalizados por uma ideologia dominante, tais como negros, mulheres, entre outros, sio capazes de se colocar contra tal ideologia. Já que o romance de Rhys é uma paródia do texto de Brontë, as vidas das duas escritoras são comparadas, da mesma forma que são comparadas as sociedades inglesa e jamaicana, na época em que ambas as histórias acontecem. Este .6 o tópico do segundo capitulo, para que seja possível estabelecer as semelhanças e diferenças entre os dois textos. claro que, como o objeto deste estudo é o texto de Jean Rhys e seu talento para escrever, e por ela não ser uma escritora muito conhecida no Brasil, uma breve bibliografia sua é incluída, a qual também é utilizada para mostrar como vários temas e elementos de seu estilo aparecem aqui e ali. Esta característica do seu modo de escrever permite aos críticos ver seus romances e contos como virias versões de uma mesma história, qual seja a de uma personagem que tem medo das pessoas e de si e que busca uma identidade, sendo totalmente incapaz de relacionamentos interpessoais pelo fato de que ela não pertence a lugar algum. 0 último capítulo deste trabalho traz a análise de Wide Sargasso Sea, onde sio apresentados os aspectos que fazem este texto ser um bom representante do romance pós-colonial em que o final violento da protagonista toma-se a imica chance de que ela dispõe. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras. Programa de Pós-Graduação em Letras.
Coleções
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Linguística, Letras e Artes (3083)Letras (1893)
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