Controle glicêmico em pacientes diabéticos em diálise peritoneal : série de casos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre
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Data
2025Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Especialização
Assunto
Resumo
Introdução: O diabetes mellitus é a principal causa de doença renal crônica terminal no mundo, sendo responsável por aproximadamente 32% dos pacientes em diálise no Brasil. Pacientes diabéticos em diálise peritoneal enfrentam desafios metabólicos únicos devido à absorção de glicose do dialisato. Objetivo: Descrever o perfil clínico, metabólico e terapêutico de pacientes diabéticos em programa de diálise peritoneal no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, analisando a evolução do controle glicêm ...
Introdução: O diabetes mellitus é a principal causa de doença renal crônica terminal no mundo, sendo responsável por aproximadamente 32% dos pacientes em diálise no Brasil. Pacientes diabéticos em diálise peritoneal enfrentam desafios metabólicos únicos devido à absorção de glicose do dialisato. Objetivo: Descrever o perfil clínico, metabólico e terapêutico de pacientes diabéticos em programa de diálise peritoneal no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, analisando a evolução do controle glicêmico e os desfechos clínicos. Métodos: Estudo observacional retrospectivo do tipo série de casos, incluindo pacientes diabéticos em diálise peritoneal no período de janeiro de 2021 a dezembro de 2025. Foram coletadas variáveis demográficas, clínicas, laboratoriais e terapêuticas. A análise estatística incluiu testes pareados, qui-quadrado, regressão logística e análise de sobrevida de Kaplan-Meier. Resultados: Foram incluídos 33 pacientes, com idade média de 58,7 anos, 66,7% do sexo feminino, 78,8% com diabetes tipo 2, tempo médio de DM de 19,6 anos e tempo médio em DP de 30,3 meses. A nefropatia diabética foi a principal etiologia da DRC (72,7%), com alta sobreposição com retinopatia diabética (91,7% dos pacientes com nefropatia também tinham retinopatia). A HbA1c média aumentou significativamente de 6,37% para 7,01% (p=0,028), e a albumina sérica reduziu de 3,65 para 2,99 g/dL (p<0,001). A taxa de mortalidade foi de 66,7%, sendo as causas infecciosas responsáveis por 54,5% dos óbitos. Pacientes com diurese residual inferior a 300 mL/dia apresentaram mortalidade de 92,9% versus 47,4% naqueles com diurese preservada (OR=14,44; p=0,009). O uso frequente de solução de glicose a 4,25% (≥4x/semana) associou-se a pior controle glicêmico final (HbA1c 7,82% vs 6,80%; p=0,048). A retinopatia diabética permaneceu como fator independentemente associado ao óbito na regressão logística (OR=6,82; IC95%: 1,15-40,3; p=0,034). Nenhum paciente utilizou icodextrina. Conclusão: Pacientes diabéticos em diálise peritoneal representam uma população de altíssimo risco, caracterizada por deterioração progressiva do controle glicêmico e do estado nutricional, com mortalidade elevada. A retinopatia diabética emerge como importante marcador prognóstico, enquanto a ausência de soluções poupadoras de glicose representa uma limitação terapêutica potencialmente modificável. ...
Abstract
Introduction: Diabetes mellitus is the leading cause of end-stage kidney disease worldwide, accounting for approximately 32% of dialysis patients in Brazil. Diabetic patients on peritoneal dialysis face unique metabolic challenges due to glucose absorption from the dialysate. Objective: To describe the clinical, metabolic, and therapeutic profile of diabetic patients on peritoneal dialysis at Hospital de Clínicas de Porto Alegre, analyzing glycemic control evolution and clinical outcomes. Metho ...
Introduction: Diabetes mellitus is the leading cause of end-stage kidney disease worldwide, accounting for approximately 32% of dialysis patients in Brazil. Diabetic patients on peritoneal dialysis face unique metabolic challenges due to glucose absorption from the dialysate. Objective: To describe the clinical, metabolic, and therapeutic profile of diabetic patients on peritoneal dialysis at Hospital de Clínicas de Porto Alegre, analyzing glycemic control evolution and clinical outcomes. Methods: Retrospective observational case series study, including diabetic patients on peritoneal dialysis from January 2021 to December 2025. Demographic, clinical, laboratory, and therapeutic variables were collected. Statistical analysis included paired tests, chi-square, logistic regression, and Kaplan-Meier survival analysis. Results: Thirty-three patients were included, with mean age of 58.7 years, 66.7% female, 78.8% with type 2 diabetes, mean DM duration of 19.6 years, and mean time on PD of 30.3 months. Diabetic nephropathy was the main CKD etiology (72.7%), with high overlap with diabetic retinopathy (91.7% of patients with nephropathy also had retinopathy). Mean HbA1c increased significantly from 6.37% to 7.01% (p=0.028), and serum albumin decreased from 3.65 to 2.99 g/dL (p<0.001). Mortality rate was 66.7%, with infectious causes accounting for 54.5% of deaths. Patients with residual diuresis below 300 mL/day had mortality of 92.9% versus 47.4% in those with preserved diuresis (OR=14.44; p=0.009). Frequent use of 4.25% glucose solution (≥4x/week) was associated with worse final glycemic control (HbA1c 7.82% vs 6.80%; p=0.048). Diabetic retinopathy remained independently associated with death in logistic regression (OR=6.82; 95%CI: 1.15-40.3; p=0.034). No patient used icodextrin. Conclusion: Diabetic patients on peritoneal dialysis represent an extremely high-risk population, characterized by progressive deterioration of glycemic control and nutritional status, with high mortality. Diabetic retinopathy emerges as an important prognostic marker, while the absence of glucose-sparing solutions represents a potentially modifiable therapeutic limitation. ...
Instituição
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Curso de Programa de Residência Médica em Nefrologia.
Coleções
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Ciências da Saúde (1899)
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