Eficácia e segurança da radioterapia estereotáxica cardíaca para taquicardia ventricular refratária : revisão sistemática e meta-análise
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Data
2025Autor
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Nível acadêmico
Especialização
Assunto
Resumo
Introdução: A taquicardia ventricular (TV) refratária constitui um importante desafio clínico, mesmo com os avanços no uso de fármacos antiarrítmicos, cardiodesfibriladores implantáveis (CDI) e ablação por cateter. Em pacientes com cardiopatia estrutural avançada, a recorrência da TV está associada a elevada morbidade, terapias frequentes do CDI e piora da qualidade de vida. A radioterapia estereotáxica para ablação de arritmias cardíacas (stereotactic arrhythmia radioablation - STAR) surgiu co ...
Introdução: A taquicardia ventricular (TV) refratária constitui um importante desafio clínico, mesmo com os avanços no uso de fármacos antiarrítmicos, cardiodesfibriladores implantáveis (CDI) e ablação por cateter. Em pacientes com cardiopatia estrutural avançada, a recorrência da TV está associada a elevada morbidade, terapias frequentes do CDI e piora da qualidade de vida. A radioterapia estereotáxica para ablação de arritmias cardíacas (stereotactic arrhythmia radioablation - STAR) surgiu como uma abordagem terapêutica inovadora e não invasiva. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática com meta-análise para avaliar a eficácia e a segurança do STAR no tratamento da taquicardia ventricular refratária. Métodos: Foi realizada busca sistemática nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Google Scholar e SciELO até março de 2025. Foram incluídos estudos clínicos prospectivos e retrospectivos que avaliaram o uso do STAR para TV. O desfecho primário foi a redução ≥ 50% da recorrência de TV após o procedimento. Os desfechos secundários incluíram sucesso clínico, mortalidade por todas as causas e eventos adversos relacionados ao tratamento. Foi conduzida uma meta-análise single-arm de proporções, utilizando modelo de efeitos aleatórios (DerSimonian-Laird) com intervalos de confiança de Wilson. Resultados: Seis estudos clínicos, totalizando 50 pacientes com TV refratária, foram incluídos. Todos apresentavam cardiopatia estrutural e falha prévia das terapias convencionais. O STAR foi realizado em fração única, predominantemente com dose de 25 Gy. A análise combinada demonstrou elevada probabilidade de redução da TV (87%; IC 95%: 79-96%), com heterogeneidade mínima (I² = 0,0%, Q = 3,23, p = 0,665). Eventos adversos graves relacionados ao tratamento foram raros, e a mortalidade observada esteve principalmente associada à progressão da cardiopatia de base. Conclusões: O STAR está associado a redução substancial da recorrência de taquicardia ventricular (87% de sucesso), com perfil de segurança aceitável no curto e médio prazo em pacientes selecionados, reforçando seu potencial como alternativa terapêutica não invasiva. ...
Abstract
Background: Refractory ventricular tachycardia (VT) remains a major clinical challenge despite advances in antiarrhythmic drugs, implantable cardioverter-defibrillators (ICDs), and catheter ablation. In patients with advanced structural heart disease, recurrent VT is associated with high morbidity, frequent ICD therapies, and reduced quality of life. Stereotactic arrhythmia radioablation (STAR) has emerged as a novel, non-invasive therapeutic strategy targeting arrhythmogenic myocardial substra ...
Background: Refractory ventricular tachycardia (VT) remains a major clinical challenge despite advances in antiarrhythmic drugs, implantable cardioverter-defibrillators (ICDs), and catheter ablation. In patients with advanced structural heart disease, recurrent VT is associated with high morbidity, frequent ICD therapies, and reduced quality of life. Stereotactic arrhythmia radioablation (STAR) has emerged as a novel, non-invasive therapeutic strategy targeting arrhythmogenic myocardial substrates using stereotactic body radiotherapy. Objective: To systematically review the clinical evidence and perform a meta-analysis evaluating the efficacy and safety of STAR in patients with refractory VT. Methods: A systematic search of PubMed/MEDLINE, Embase, Google Scholar, and SciELO was conducted through March 2025. Prospective and retrospective clinical studies evaluating STAR for VT were included. The primary outcome was a ≥ 50% reduction in VT recurrence after treatment. Secondary outcomes included clinical success, all-cause mortality, and treatment-related adverse events. A single-arm meta-analysis of proportions was performed using a random-effects model (DerSimonian-Laird) with Wilson score confidence intervals. Results: Six clinical studies comprising 50 patients with refractory VT were included. All patients had structural heart disease and previous failure of conventional therapies. STAR was delivered as a single fraction, most commonly 25 Gy. The pooled analysis demonstrated a high probability of VT reduction (87%; 95% CI: 79-96%) with minimal heterogeneity (I² = 0.0%, Q = 3.23, p = 0.665). Serious treatment-related adverse events were uncommon. Mortality during follow-up was mainly related to progression of underlying cardiomyopathy rather than STAR. Conclusions: STAR is associated with a substantial reduction in VT recurrence (87% success rate) and an acceptable short- to mid-term safety profile in highly selected patients with refractory VT. These findings support STAR as a promising non-invasive therapeutic option and underscore the need for larger prospective studies with long-term follow-up. ...
Instituição
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Curso de Programa de Residência Médica em Radioterapia.
Coleções
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Ciências da Saúde (1899)
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