Perfil sociodemográfico dos médicos que trabalham nas emergências de Porto Alegre
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Data
2026Orientador
Nível acadêmico
Especialização
Assunto
Resumo
A Medicina de Emergência é uma especialidade relativamente recente no Brasil e vem se expandindo em um contexto marcado por elevada demanda assistencial, superlotação dos serviços e desafios estruturais. Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil sociodemográfico, profissional e ocupacional dos médicos que atuam nos serviços de emergência de Porto Alegre, além de avaliar aspectos relacionados à formação, carga de trabalho, satisfação profissional e fatores percebidos como agravantes d ...
A Medicina de Emergência é uma especialidade relativamente recente no Brasil e vem se expandindo em um contexto marcado por elevada demanda assistencial, superlotação dos serviços e desafios estruturais. Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil sociodemográfico, profissional e ocupacional dos médicos que atuam nos serviços de emergência de Porto Alegre, além de avaliar aspectos relacionados à formação, carga de trabalho, satisfação profissional e fatores percebidos como agravantes do exercício profissional. Trata-se de um estudo descritivo, transversal, realizado por meio de questionário online autoaplicável, com amostragem por conveniência, incluindo médicos atuantes em emergências hospitalares do município. A amostra foi composta por 160 médicos, com idade média de 36,4 anos, predominância do sexo feminino (64,4%) e tempo relativamente curto de atuação na emergência. Apenas 30% possuíam residência médica em Medicina de Emergência e 16,8% título de especialista, embora 58,7% indicassem a emergência como principal área de atuação. Observou-se elevada carga horária semanal, frequentemente superior a 40 horas, dependência financeira significativa do trabalho na emergência e presença de múltiplos vínculos empregatícios. Apesar de 53,1% dos participantes relatarem satisfação geral com o trabalho, foram identificados elevados índices de indiferença ou insatisfação quanto à remuneração (66,9%), ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional (60%), ao suporte da gestão (53,1%) e a oportunidades de desenvolvimento (60%). Os principais fatores percebidos como agravantes foram sobrecarga de trabalho, superlotação, violência, escassez de recursos e falta de reconhecimento profissional. Além disso, uma parcela expressiva (30%) dos médicos manifestou intenção de deixar a emergência em curto ou médio prazo. Os achados evidenciam um cenário de alta dedicação profissional coexistindo com fragilidades organizacionais, reforçando a necessidade de investimentos em formação especializada, melhoria das condições de trabalho, valorização profissional e políticas de gestão que favoreçam a sustentabilidade dos serviços de emergência e a retenção de médicos qualificados. ...
Abstract
Emergency Medicine is a relatively recent specialty in Brazil and has expanded rapidly in a context marked by increasing healthcare demand, service overcrowding, and structural challenges. This study aimed to characterize the sociodemographic, professional, and occupational profile of physicians working in emergency departments in Porto Alegre, as well as to evaluate aspects related to training, workload, job satisfaction, and factors perceived as aggravating professional practice. This was a d ...
Emergency Medicine is a relatively recent specialty in Brazil and has expanded rapidly in a context marked by increasing healthcare demand, service overcrowding, and structural challenges. This study aimed to characterize the sociodemographic, professional, and occupational profile of physicians working in emergency departments in Porto Alegre, as well as to evaluate aspects related to training, workload, job satisfaction, and factors perceived as aggravating professional practice. This was a descriptive, cross-sectional study conducted using a self-administered online questionnaire with convenience sampling, including physicians working in hospital emergency services in the city. The sample comprised 160 physicians, with a mean age of 36.4 years, predominance of female participants (64.4%), and relatively short time working in emergency care. Only 30% had completed a residency in Emergency Medicine and 16.8% held a specialist title, although 58.7% reported Emergency Medicine as their main area of practice. A high weekly workload, frequently exceeding 40 hours, significant financial dependence on emergency work, and multiple employment relationships were observed. Although 53.1% of participants reported overall job satisfaction, high levels of indifference or dissatisfaction were identified regarding remuneration (66.9%), work-life balance (60%), management support (53.1%), and development opportunities (60%). The main factors perceived as aggravating were work overload, overcrowding, violence, scarcity of resources, and lack of professional recognition. Furthermore, a significant portion (30%) of physicians expressed an intention to leave the emergency room in the short or medium term. The findings highlight a scenario of high professional dedication coexisting with organizational weaknesses, reinforcing the need for investments in specialized training, improved working conditions, professional development, and management policies that favor the sustainability of emergency services and the retention of qualified physicians. ...
Instituição
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Curso de Programa de Residência Médica em Medicina de Emergência.
Coleções
-
Ciências da Saúde (1899)
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