História de vida e vivências de gênero em pessoas transgênero com TEA : estudo de dois casos clínicos
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Data
2025Autor
Orientador
Nível acadêmico
Especialização
Assunto
Resumo
Este estudo qualitativo investiga a intersecção entre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e as vivências de gênero em pessoas transgênero, a partir da análise de dois casos clínicos acompanhados em um serviço público especializado de saúde trans no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Considerando evidências da literatura que apontam maior prevalência de TEA em pessoas transgênero e a escassez de estudos qualitativos sobre a experiência subjetiva nessa intersecção, o trabalho tem como objet ...
Este estudo qualitativo investiga a intersecção entre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e as vivências de gênero em pessoas transgênero, a partir da análise de dois casos clínicos acompanhados em um serviço público especializado de saúde trans no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Considerando evidências da literatura que apontam maior prevalência de TEA em pessoas transgênero e a escassez de estudos qualitativos sobre a experiência subjetiva nessa intersecção, o trabalho tem como objetivo compreender de que modo o diagnóstico de TEA influencia o reconhecimento da identidade de gênero, o tempo de elaboração subjetiva e o percurso de transição. Trata-se de um estudo exploratório, fundamentado na análise temática reflexiva, conforme o referencial de Braun e Clarke, baseado em entrevistas clínicas semiestruturadas conduzidas a partir dos critérios diagnósticos do DSM-5-TR para TEA e disforia de gênero. As narrativas evidenciam trajetórias marcadas por sofrimento psíquico significativo, sintomas depressivos e tentativas de suicídio, especialmente intensificados na adolescência e no período da puberdade, quando as mudanças corporais acentuam a disforia de gênero. Observa-se que características associadas ao TEA, como dificuldades de interação social, rigidez cognitiva, necessidade de previsibilidade e limitações na simbolização, atravessam a forma como os sujeitos percebem o corpo, constroem relações afetivas e acessam dispositivos de cuidado. Ao mesmo tempo, o diagnóstico de TEA, quando realizado em contexto clínico acolhedor e articulado a um cuidado afirmativo de gênero, pode operar como instrumento de compreensão e organização da própria história, sem funcionar como explicação etiológica da transgeneridade nem como critério de exclusão do processo de transição. Os casos analisados ressaltam a importância de abordagens clínicas integradas, sensíveis à neurodiversidade e à singularidade subjetiva, bem como a necessidade de serviços públicos que garantam cuidado contínuo, não patologizante e centrado na autonomia dos pacientes. ...
Abstract
This qualitative study explores the intersection between Autism Spectrum Disorder (ASD) and gender experiences in transgender individuals through the analysis of two clinical cases followed at a specialized public transgender health service at the Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Brazil. Considering evidence in the literature indicating a higher prevalence of ASD among transgender people and the scarcity of qualitative studies addressing lived experience at this intersection, the aim of th ...
This qualitative study explores the intersection between Autism Spectrum Disorder (ASD) and gender experiences in transgender individuals through the analysis of two clinical cases followed at a specialized public transgender health service at the Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Brazil. Considering evidence in the literature indicating a higher prevalence of ASD among transgender people and the scarcity of qualitative studies addressing lived experience at this intersection, the aim of this study is to understand how an ASD diagnosis influences the recognition of gender identity, the timing of subjective elaboration, and the transition process. An exploratory qualitative design was adopted, grounded in reflexive thematic analysis according to Braun and Clarke, based on semi-structured clinical interviews conducted using DSM-5-TR diagnostic criteria for ASD and gender dysphoria. The narratives reveal trajectories marked by significant psychological distress, depressive symptoms, and suicide attempts, particularly intensified during adolescence and puberty, when bodily changes exacerbate gender dysphoria. Characteristics associated with ASD—such as difficulties in social interaction, cognitive rigidity, need for predictability, and limitations in symbolization—were found to shape how participants perceive their bodies, establish affective relationships, and access healthcare services. At the same time, when made in a supportive clinical context and integrated with gender-affirming care, an ASD diagnosis may function as a tool for understanding and reorganizing personal history, rather than as an etiological explanation for transgender identity or a barrier to gender transition. The cases highlight the importance of integrated clinical approaches that are sensitive to neurodiversity and subjective singularity, as well as the need for public health services that ensure continuous, non-pathologizing care centered on patient autonomy. ...
Instituição
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Curso de Programa de Residência Médica em Psiquiatria.
Coleções
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Ciências da Saúde (1839)
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