Retrações da membrana timpânica e colesteatoma : uma coorte retrospectiva de 7 anos
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Data
2025Autor
Orientador
Nível acadêmico
Especialização
Assunto
Resumo
INTRODUÇÃO: A retração da membrana timpânica é uma alteração importante na otite média crônica, porém de entendimento ainda limitado. Sua gênese RMT ocorre pela pressão negativa de uma tuba auditiva disfuncional e inflamação crônica da orelha média. A configuração histológica da membrana, com a maior de vascularização no quadrante posterossuperior e organização das fibras colágenas no nesta área e na região atical, também contribui para sua formação. Classificações como a de Sadé & Berco são co ...
INTRODUÇÃO: A retração da membrana timpânica é uma alteração importante na otite média crônica, porém de entendimento ainda limitado. Sua gênese RMT ocorre pela pressão negativa de uma tuba auditiva disfuncional e inflamação crônica da orelha média. A configuração histológica da membrana, com a maior de vascularização no quadrante posterossuperior e organização das fibras colágenas no nesta área e na região atical, também contribui para sua formação. Classificações como a de Sadé & Berco são comumente empregadas, mas falham em avaliar a evolução dinâmica das RMT. Este estudo se propõe a analisar a evolução de 45 casos de RMT, buscando relacionar a progressão e transformação em outras patologias, como colesteatomas e perfurações. OBJETIVO: Determinar a evolução e taxa de transformação das RMTs em outras patologias de maior gravidade (perfuração timpânica ou colesteatoma). REVISÃO DA LITERATURA: A literatura atual carece de consenso sobre o prognóstico das retrações, assim como fatores de risco para a formação de colesteatoma - doença otológica mais grave que sabidamente tem relação com as RMTs. Estudos prévios que tentaram avaliar esta evolução mostraram cerca de 1 a 5% de formação de colesteatoma. MÉTODOS: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Os pacientes foram acompanhados de 2015 a 2016, e suas situações foram documentadas através de videotoscopias em duas ocasiões: na entrada e após 7 anos. Os casos foram classificados conforme a via de retração (pars flaccida, pars tensa ou duas vias), com a evolução monitorada através de desfechos videotoscópicos e cirúrgicos. RESULTADOS: Dos 45 ouvidos avaliados, a maioria apresentou retrações de duas vias (57,8%). Após o acompanhamento, 39 foram reavaliados por videotoscopia, sendo que 5 RMT melhoraram, 19 permaneceram estáveis e 8 pioraram. Dois casos evoluíram para perfuração, enquanto 11 progrediram para colesteatoma, correspondendo a uma taxa de 24,4% de colesteatomização. Nenhuma retração de grau I evoluiu para outras patologias. As RMT que pioraram frequentemente apresentavam sinais de OMC na orelha contralateral e a maioria dos casos cirúrgicos foi devido ao colesteatoma. DISCUSSÃO: Comparado a estudos mais antigos, a taxa de colesteatomização em nossa coorte foi significativamente mais alta (24,4%). Fatores como a maior duração do acompanhamento e a população estudada, com média de idade mais elevada, podem ter influenciado nestes resultados. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As RMT são uma parte fundamental da patogênese da OMC, e mais estudos sobre sua evolução são essenciais para avaliação de prognósticos e tratamentos. O melhor entendimento das RMT é necessário para melhores tratamentos e para a prevenção de complicações como colesteatomas. ...
Abstract
INTRODUCTION: Tympanic membrane retraction (TMR) is a relevant pathological finding in chronic otitis media, although its pathophysiology remains incompletely understood. TMR genesis is associated with negative middle ear pressure secondary to Eustachian tube dysfunction and chronic middle ear inflammation. Histological characteristics of the tympanic membrane, including increased vascularization in the posterosuperior quadrant and the arrangement of collagen fibers in this area and in the atti ...
INTRODUCTION: Tympanic membrane retraction (TMR) is a relevant pathological finding in chronic otitis media, although its pathophysiology remains incompletely understood. TMR genesis is associated with negative middle ear pressure secondary to Eustachian tube dysfunction and chronic middle ear inflammation. Histological characteristics of the tympanic membrane, including increased vascularization in the posterosuperior quadrant and the arrangement of collagen fibers in this area and in the attic region, also contribute to retraction formation. Classification systems such as the Sadé & Berco classification are commonly used; however, they fail to adequately assess the dynamic evolution of TMRs. This study aims to analyze the long-term evolution of 45 cases of TMR, correlating disease progression and transformation into other pathologies, such as cholesteatoma and tympanic membrane perforation. OBJECTIVE: To determine the long-term evolution and transformation rate of tympanic membrane retractions into more severe pathologies, including tympanic membrane perforation and cholesteatoma. LITERATURE REVIEW: Current literature lacks consensus regarding the prognosis of tympanic membrane retractions, as well as the risk factors associated with cholesteatoma formation—a more severe otologic disease known to be related to TMRs. Previous studies evaluating TMR evolution have reported cholesteatoma development rates ranging from 1% to 5%. METHODS: This retrospective cohort study was conducted at the Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Patients were followed between 2015 and 2016, with tympanic membrane status documented through video-otoscopy at two time points: baseline and after a 7-year follow-up period. Retractions were classified according to the retraction pathway (pars flaccida, pars tensa, or combined involvement), and disease progression was monitored through video-otoscopic and surgical outcomes. RESULTS: Among the 45 ears evaluated, most presented combined pars flaccida and pars tensa retractions (57.8%). After follow-up, 39 ears were reassessed by video-otoscopy: 5 TMRs improved, 19 remained stable, and 8 worsened. Two cases progressed to tympanic membrane perforation, while 11 evolved to cholesteatoma, corresponding to a cholesteatoma formation rate of 24.4%. No grade I retractions progressed to other pathologies. Worsening TMRs were frequently associated with signs of chronic otitis media in the contralateral ear, and most surgical interventions were performed due to cholesteatoma. DISCUSSION: Compared with earlier studies, the cholesteatoma formation rate observed in this cohort was significantly higher (24.4%). Factors such as longer follow-up duration and an older study population may have contributed to these findings. CONCLUSIONS: Tympanic membrane retractions play a fundamental role in the pathogenesis of chronic otitis media. Further studies evaluating their natural history are essential to improve prognostic assessment and treatment strategies. A better understanding of TMRs is necessary to optimize management and prevent complications such as cholesteatoma. ...
Instituição
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Curso de Programa de Residência Médica em Otorrinolaringologia.
Coleções
-
Ciências da Saúde (1899)
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