Mecanismos de dispneia e intolerância ao exercício em tabagistas com Preserved Ratio Impaired Spirometry
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Data
2025Autor
Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Introdução: Preserved Ratio Impaired Spirometry (PRISm) tem sido proposto pela Iniciativa Global para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (GOLD) para identificar indivíduos com a relação do volume expiratório forçado no 1º segundo (VEF)/capacidade vital forçada (CVF) preservada, mas espirometria prejudicada, sendo considerado um possível precursor da DPOC. Atualmente, o diagnóstico para DPOC requer a demonstração do VEF/CVF pósbroncodilatador < 0,7, e tabagismo é importante fator de risco. N ...
Introdução: Preserved Ratio Impaired Spirometry (PRISm) tem sido proposto pela Iniciativa Global para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (GOLD) para identificar indivíduos com a relação do volume expiratório forçado no 1º segundo (VEF)/capacidade vital forçada (CVF) preservada, mas espirometria prejudicada, sendo considerado um possível precursor da DPOC. Atualmente, o diagnóstico para DPOC requer a demonstração do VEF/CVF pósbroncodilatador < 0,7, e tabagismo é importante fator de risco. No caso de um indivíduo tabagista apresentar espirometria pós-broncodilatador acima desse limiar, ele é considerado como tendo função pulmonar normal, e os parâmetros espirométricos específicos de VEF/CVF ≥ 0,7 e VEF < 80% do previsto vêm sendo utilizados para classificar o padrão PRISm. Esses casos, além dos estágios iniciais da DPOC, podem ser subestimados pelo médico e paciente, quando a carga de sintomas ainda não interfere nas atividades de vida diária e se manifestam apenas em níveis altos de exercício, podendo levar a menor tolerância e dispneia ao exercício. Objetivos: Investigar os mecanismos de dispneia e intolerância ao exercício em pacientes tabagistas com padrão PRISm, DPOC estágios 1 e 2, e controles saudáveis não tabagistas no teste de exercício cardiopulmonar (TECP). Métodos: Foram convidados a participar todos tabagistas PRISm maiores de 18 anos, com pelo menos 3 meses de estabilidade clínica e histórico de tabagismo (atual ou passado) >10 anos-maço em acompanhamento nos ambulatórios de tabagismo do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Os pacientes com DPOC GOLD 1 e 2, também recrutados em ambulatório, bem como os indivíduos controles saudáveis recrutados da comunidade, foram pareados ao grupo PRISm por idade, sexo e IMC. Foram excluídos do estudo indivíduos que apresentassem comorbidades limitantes (insuficiência cardíaca, neoplasia avançada, obesidade mórbida), bem como CPT<limite inferior da normalidade (LIN). Dados de caracterização, sintomas respiratórios e testes de função pulmonar foram acessados através do prontuário médico, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Como procedimento de pesquisa, foi realizado o TECP. Resultados: Os grupos PRISm e DPOC apresentaram redução semelhante do VEF₁ (~72% do previsto) em comparação com os controles (97% do previsto), enquanto a CVF foi significativamente menor no PRISm (73% do previsto) do que na DPOC e nos controles (~95% do previsto). Ambos os grupos de pacientes apresentaram maiores demandas ventilatórias para uma determinada carga de trabalho, menor capacidade inspiratória em repouso, reserva ventilatória reduzida e maior relação volume corrente/capacidade inspiratória durante o exercício. Consequentemente, eles relataram pontuações mais altas de dispneia e interromperam o exercício mais cedo do que os controles. Conclusão: Os tabagistas com PRISm apresentam intolerância ao exercício e aumento da dispneia comparáveis aos pacientes com DPOC com comprometimento equivalente do VEF1. Essas limitações parecem ser causadas principalmente por demandas ventilatórias excessivas e restrições mecânicas inspiratórias intensificadas durante o esforço. ...
Abstract
Introduction: Preserved Ratio Impaired Spirometry (PRISm) has been proposed by the Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) to identify individuals with a preserved forced expiratory volume in one second (FEV₁)/forced vital capacity (FVC) ratio but impaired spirometry, and it is considered a possible precursor of COPD. Currently, the diagnosis of COPD requires the demonstration of a post-bronchodilator FEV₁/FVC ratio < 0.7, with smoking being an important risk factor. When ...
Introduction: Preserved Ratio Impaired Spirometry (PRISm) has been proposed by the Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) to identify individuals with a preserved forced expiratory volume in one second (FEV₁)/forced vital capacity (FVC) ratio but impaired spirometry, and it is considered a possible precursor of COPD. Currently, the diagnosis of COPD requires the demonstration of a post-bronchodilator FEV₁/FVC ratio < 0.7, with smoking being an important risk factor. When a smoking individual presents postbronchodilator spirometry values above this threshold, they are considered to have normal lung function, and the specific spirometric criteria of FEV1/FVC ≥ 0.7 and FEV1 < 80% of the predicted value have been used to classify the PRISm pattern. These individuals, as well as those with early-stage COPD, may be underestimated by both physicians and patients, as the symptom burden does not interfere with activities of daily living and manifests only at higher levels of exercise, leading to reduced exercise tolerance and increased exertional dyspnea. Objective: To investigate the mechanisms of dyspnea and exercise intolerance in smoking patients with the PRISm pattern, COPD stages 1 and 2, and healthy non-smoking controls during the cardiopulmonary exercise test (CPET). Methods: All PRISm smokers aged 18 years or older, with at least 3 months of clinical stability and with a smoking history (current or former) >10 pack-years under follow-up in the tobacco treatment clinic at the Hospital de Clínicas de Porto Alegre were invited to participate. Patients with GOLD 1 and 2 COPD, also recruited from outpatient clinics, as well as healthy control subjects recruited from the community, were matched to the PRISm group by age, sex, and BMI. Individuals presenting limiting comorbidities (heart failure, advanced cancer, morbid obesity), as well as those with TLC < lower limit of normal (LLN), were excluded from the study. Characterization data, respiratory symptoms, and pulmonary function tests were obtained from medical records following the signing of the Informed Consent Form. The CPET was performed as the research procedure. Results: The PRISm and COPD groups showed a similar reduction in FEV1 (~72% of predicted) compared with the controls (97% of predicted), while FVC was significantly lower in the PRISm group (73% of predicted) than in the COPD and control groups (~95% of predicted). Both patient groups exhibited higher ventilatory demands for a given workload, lower resting inspiratory capacity, reduced ventilatory reserve, and higher tidal volume/inspiratory capacity ratio during exercise. Consequently, they reported higher dyspnea scores and terminated exercise earlier than the controls. Conclusion: Smokers with PRISm exhibit exercise intolerance and increased dyspnea comparable to patients with COPD who have a similar degree of FEV1 impairment. These limitations appear to be primarily driven by excessive ventilatory demands and intensified inspiratory mechanical constraints during exertion. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Pneumológicas.
Coleções
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Ciências da Saúde (9677)Pneumologia (527)
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