Impacto da pandemia de COVID-19 sobre o controle metabólico e pressão arterial de pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 : revisão sistemática e coorte retrospectiva
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Data
2025Autor
Orientador
Nível acadêmico
Doutorado
Tipo
Assunto
Resumo
A pandemia de COVID-19 representou um desafio significativo à saúde pública global. Restrições sociais, barreiras ao acesso a medicamentos e ao acompanhamento médico, além de fatores psicossociais, impactaram o controle metabólico e pressórico desses pacientes. Entre os grupos mais vulneráveis estavam pacientes com doenças crônicas como diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial e obesidade. Dados internacionais mostraram que pessoas com DM apresentavam maior risco de hospitalização e mortali ...
A pandemia de COVID-19 representou um desafio significativo à saúde pública global. Restrições sociais, barreiras ao acesso a medicamentos e ao acompanhamento médico, além de fatores psicossociais, impactaram o controle metabólico e pressórico desses pacientes. Entre os grupos mais vulneráveis estavam pacientes com doenças crônicas como diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial e obesidade. Dados internacionais mostraram que pessoas com DM apresentavam maior risco de hospitalização e mortalidade por COVID-19, em especial aquelas com controle glicêmico inadequado. O DM, que afeta atualmente mais de 500 milhões de pessoas no mundo, foi uma das comorbidades mais frequentes em pacientes infectados. No entanto, os resultados na literatura são conflitantes: enquanto alguns estudos apontam uma piora nos níveis de hemoglobina glicada e pressão arterial nesse grupo de pacientes, outros não observaram mudanças significativas. Diante disso, este trabalho tem como objetivo investigar o impacto da pandemia da COVID-19 no perfil clínico de pacientes ambulatoriais com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2), especialmente quanto ao controle glicêmico e pressão arterial, por meio de uma revisão sistemática com metanálise e estudo de coorte retrospectivo incluindo o período pré e pós-pandemia. Na revisão sistemática, foram incluídos 35 estudos com 33.730 pacientes (DM1: n = 1.984; DM2: n = 31.746), após triagem de 10.721 artigos nas bases MEDLINE e Embase. Já o estudo de coorte retrospectivo analisou dados clínicos e laboratoriais de 459 pacientes atendidos no HCPA, comparando os períodos pré-pandemia (jul/2019–mar/2020) e pós-pandemia (mar/2021–set/2023). Na metanálise, observou-se melhora significativa dos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) em pacientes com DM1 usuários de monitorização contínua da glicose (CGM) ΔHbA1c –0,30% [IC95% –0,42 a –0,18] p < 0,0001. No DM2, os resultados foram heterogêneos, sem mudança significativa da HbA1c ΔHbA1c 0,22% [IC95% –0,02 a 0,46] p < 0,085, com pior controle glicêmico em indivíduos mais jovens. No estudo de coorte, observou-se redução significativa da HbA1c no pós-pandemia tanto no DM1 (8,9±1,5 vs. 8,6±1,6%; ΔHbA1c –0,3%; p = 0,013) quanto no DM2 (9,0±1,6 vs. 8,5±1,6%; ΔHbA1c 8 –0,5%; p = 0,000), associada à alta adesão ao acompanhamento médico (presencial ou remoto). A pressão arterial sistólica aumentou significativamente em ambos os tipos de DM, em ambos os estudos. Na avaliação retrospectiva, foram evidenciadas alterações desfavoráveis da função renal, como queda da taxa de filtração glomerular e aumento da albuminúria. Em conclusão, a revisão sistemática e metanálise demonstraram que em pacientes com DM2, durante a pandemia de COVID-19, a HbA1c apresentou elevada heterogeneidade de dados nos diferentes continentes, não sendo registrada mudança significativa nesse parâmetro, enquanto a pressão sistólica foi impactada desfavoravelmente, em pequena magnitude. Já no DM1, o uso de CGM mostrou-se benéfico para o controle metabólico, assinalando uma estratégia eficaz de proteção dos pacientes em situação de crise ou catástrofe. Na análise de coorte retrospectiva, evidenciou-se melhora do controle glicêmico em ambos os tipos de DM, atribuível à marcada adesão dos pacientes às ofertas de tratamento remoto e/ou presencial. No entanto, houve tendência a um aumento dos níveis de pressão arterial sistólica e sugestão de piora na função renal. Esses dados em conjunto sugerem benefícios do uso de dispositivos como o CGM e o estímulos de adesão às consultas médicas remotas/presenciais, mas ainda evidenciam a necessidade de estratégias integradas para proteção da saúde metabólica e cardiovascular nos pacientes com DM em contextos de crises/ calamidades. ...
Abstract
The COVID-19 pandemic posed a significant challenge to global public health. Social restrictions, barriers to medication access and medical follow-up, as well as psychosocial factors, impacted metabolic and blood pressure control in affected patients. Among the most vulnerable groups are individuals with chronic conditions such as diabetes mellitus (DM), hypertension, and obesity. International data show that people with DM are at increased risk for hospitalization and mortality due to COVID-19 ...
The COVID-19 pandemic posed a significant challenge to global public health. Social restrictions, barriers to medication access and medical follow-up, as well as psychosocial factors, impacted metabolic and blood pressure control in affected patients. Among the most vulnerable groups are individuals with chronic conditions such as diabetes mellitus (DM), hypertension, and obesity. International data show that people with DM are at increased risk for hospitalization and mortality due to COVID-19, particularly those with poor glycemic control. DM, currently affecting more than 500 million people worldwide, was also among the most common comorbidities in infected patients. However, findings in the literature are conflicting: while some studies report worsening levels of glycated hemoglobin and blood pressure, others found no significant changes. In light of this, the present study aims to investigate the impact of the COVID-19 pandemic on the clinical profile of outpatients with type 1 diabetes mellitus (T1DM) and type 2 diabetes mellitus (T2DM), focusing particularly on glycemic and blood pressure control, through a systematic review with metanalysis and retrospective cohort study comparing the pre- and post-pandemic periods. The systematic review included 35 studies with a total of 33,730 patients (T1DM: n=1,984; T2DM: n=31,746), after screening 10,721 articles from the MEDLINE and Embase databases. The retrospective cohort study analyzed clinical and laboratory data from 459 patients followed at HCPA, comparing the pre-pandemic period (July 2019–March 2020) with the post-pandemic period (March 2021–September 2023). In the meta-analysis, a significant improvement in glycated hemoglobin (HbA1c) levels was observed in T1DM patients using continuous glucose monitoring (CGM) ΔHbA1c –0.30% [IC95% –0.42 a –0.18] p < 0.0001. In T2DM, results were heterogeneous, with no significant change in HbA1c ΔHbA1c 0.22% [IC95% –0.02 a 0.46] p < 0.085, although younger individuals showed worse glycemic control. In the cohort study, a significant reduction in HbA1c was observed in both T1DM (8.9±1.5 vs. 8.6±1.6%; ΔHbA1c –0.3%; p = 0.013) and T2DM (9.0±1.6 vs. 8.5±1.6%; ΔHbA1c –0.5%; p = 0.000), associated with high 10 adherence to medical follow-up (in-person or remote). Systolic blood pressure increased significantly in both DM types across both studies. Adverse changes in renal function were also observed, including decreased glomerular filtration rate and increased albuminuria. In conclusion, the systematic review and meta-analysis showed that in patients with T2DM, during the COVID-19 pandemic, HbA1c levels exhibited high data heterogeneity across different continents, with no significant changes recorded in this parameter. In contrast, systolic blood pressure was adversely affected, although to a small extent. In T1DM, the use of continuous glucose monitoring (CGM) proved beneficial for metabolic control, indicating an effective strategy for protecting patients during crises or disasters. In the retrospective cohort analysis, improved glycemic control was observed in both types of DM, which was attributed to the strong adherence of patients to remote and/or in-person treatment services. However, there was a trend toward increased systolic blood pressure levels and a suggestion of worsening renal function. Taken together, these findings suggest benefits from the use of devices such as CGM and the encouragement of adherence to medical appointments, whether remote or in-person, but they also highlight the ongoing need for integrated strategies to protect the metabolic and cardiovascular health of patients with DM in crisis or disaster contexts. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Endocrinologia.
Coleções
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Ciências da Saúde (9677)Endocrinologia (417)
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