Efeito da terapia hormonal sobre a dor articular e musculoesquelética da menopausa : revisão sistemática e metanálise
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Data
2025Autor
Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Doutorado
Tipo
Assunto
Resumo
Introdução: O processo de desenvolvimento de dor é multifatorial e os hormônios sexuais estão envolvidos na modulação através de mecanismos centrais e periféricos de inflamação e de nocicepção. Similarmente, a presença de receptores de estrogênio em estruturas osteo-mio-articulares sugere uma ação direta do estrogênio nestes tecidos. A dor articular e musculoesquelética é bastante prevalente entre mulheres na pósmenopausa, sugerindo uma possível influência do hipoestrogenismo decorrente da falê ...
Introdução: O processo de desenvolvimento de dor é multifatorial e os hormônios sexuais estão envolvidos na modulação através de mecanismos centrais e periféricos de inflamação e de nocicepção. Similarmente, a presença de receptores de estrogênio em estruturas osteo-mio-articulares sugere uma ação direta do estrogênio nestes tecidos. A dor articular e musculoesquelética é bastante prevalente entre mulheres na pósmenopausa, sugerindo uma possível influência do hipoestrogenismo decorrente da falência ovariana na origem desta queixa. Objetivos: 1) Primário: Comparar a presença de dor articular e musculoesquelética entre usuárias e não usuárias de terapia hormonal; 2) Secundário: Avaliar o efeito da terapia hormonal sobre a intensidade da dor articular e musculoesquelética em mulheres na pós-menopausa. Métodos: Foi realizada uma Revisão Sistemática da literatura com posterior Metanálise. A estratégia de busca foi guiada por termos padronizados nas seguintes bases de dados: Pubmed/Medline, Embase e Web of Science. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados publicados entre 1990 e 2025 avaliando o efeito da terapia hormonal na dor articular e/ou musculoesquelética entre mulheres na menopausa – nem sempre como um desfecho primário. Um total de 2.199 estudos foram revisados. Após a leitura completa de 31 deles, 9 foram incluídos nesta metanálise. Resultados: A prevalência de sintomas articulares e musculoesqueléticos foi avaliada em seis estudos que compararam usuárias e não usuárias de terapia hormonal. As participantes foram questionadas quanto à presença de sintomas (sem dor vs. com dor) ao final da intervenção, e os resultados foram apresentados como desfecho dicotômico. O Odds Ratio encontrado foi de 0,79 (intervalo de confiança de 95% [IC]: 0,69–0,89; p<0,05), indicando tendência à redução dos sintomas musculoesqueléticos com a TH, embora tenha sido observada heterogeneidade significativa entre os estudos (I² = 69,8%). Cinco estudos avaliaram esse sintoma através de diferentes escalas. A diferença média padronizada combinada encontrada foi de −0.18 (95% CI: −0.34 a -0.02; p = 0.0271), observando-se heterogeneidade moderada (I² = 45,4%). De forma geral, os resultados apontam para uma tendência de melhora dos sintomas articulares e musculoesqueléticos com o uso de terapia hormonal, com diferença estatisticamente significativa em comparação aos grupos controle. Conclusão: Esta revisão sistemática e metanálise apresenta uma síntese atualizada das evidências disponíveis sobre o impacto da terapia hormonal na dor articular e musculoesquelética em mulheres na menopausa. Os resultados sugerem que a terapia estrogênica, isolada ou combinada à progesterona, pode exercer efeitos benéficos na redução do desconforto musculoesquelético e na prevenção do surgimento de novos sintomas articulares, porém a magnitude global desse efeito é modesta e não foi consistentemente demonstrada entre os ensaios clínicos. Futuros estudos randomizados, controlados por placebo, com instrumentos padronizados de avaliação da dor e diferenciação clara entre dor articular, edema e sintomas de origem muscular, são necessários. ...
Abstract
Introduction: The development of pain is a multifactorial process in which sex hormones participate through central and peripheral mechanisms of inflammation and nociception. Likewise, the presence of estrogen receptors in osteo-myo-articular structures suggests a direct action of this hormone on these tissues. Joint and musculoskeletal pain are highly prevalent among postmenopausal women, indicating a possible influence of hypoestrogenism secondary to ovarian failure in the origin of these sym ...
Introduction: The development of pain is a multifactorial process in which sex hormones participate through central and peripheral mechanisms of inflammation and nociception. Likewise, the presence of estrogen receptors in osteo-myo-articular structures suggests a direct action of this hormone on these tissues. Joint and musculoskeletal pain are highly prevalent among postmenopausal women, indicating a possible influence of hypoestrogenism secondary to ovarian failure in the origin of these symptoms. Objectives: 1) Primary: To compare the prevalence of joint and musculoskeletal pain between users and non-users of hormone therapy. 2) Secondary: To assess the effect of hormone therapy on the intensity of joint and musculoskeletal pain in postmenopausal women. Methods: A systematic review of the literature followed by meta-analysis was conducted. The search strategy was based on standardized terms applied to the PubMed/MEDLINE, Embase, and Web of Science databases. Randomized controlled trials published between 1990 and 2025 that evaluated the effect of hormone therapy on joint and/or musculoskeletal pain in menopausal women were included — not always a primary outcome. A total of 2,199 studies were screened; after full-text review of 31, 9 trials were included in the meta-analysis. Results: The prevalence of joint and musculoskeletal symptoms was evaluated among HT users and non-users by 6 studies. The participants were asked about the presence of symptoms (pain-free vs. pain) at the end of intervention or the results were summarized by the studies as a dichotomous outcome. The hazard ratio was 0.79 (95% confidence interval [CI]: 0.69-0.89; p<0.05), with significant heterogeneity detected between studies (I² = 69.8%). These findings show trends in reduction and musculoskeletal symptoms in HT. Joint and musculoskeletal symptoms were assessed in five studies using different evaluation instruments. The pooled standardized mean difference was −0.18 (95% CI: −0.34 to -0.02; p = 0.0271), with moderate heterogeneity observed among studies (I² = 45,4%). Overall, the results suggest a trend toward improved joint and musculoskeletal symptoms with hormonal therapy; and the difference was statistically significant compared with control groups. Conclusion: This systematic review and meta-analysis provides an updated synthesis of evidence regarding the impact of hormone therapy on joint and musculoskeletal pain in menopausal women. The results suggest that estrogen therapy, whether used alone or combined with progestin, may have beneficial effects in reducing musculoskeletal discomfort and preventing new joint symptoms. However, the overall magnitude of this effect is modest and not consistently demonstrated across clinical trials. Future randomized, placebo-controlled studies with standardized pain evaluation tools and clear differentiation between joint pain, swelling, and muscle-related symptoms are warranted. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Ginecologia e Obstetrícia.
Coleções
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Ciências da Saúde (9741)
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