Efeitos do treinamento combinado e do treinamento esportivo em beach tennis sobre a variabilidade de pressão arterial em indivíduos com hipertensão arterial
Visualizar/abrir
Data
2025Autor
Orientador
Nível acadêmico
Doutorado
Tipo
Assunto
Resumo
Introdução: A pressão arterial (PA) é uma variável fisiológica dinâmica, cuja função primária é garantir respostas adequadas às demandas impostas ao sistema cardiovascular, sendo um parâmetro essencial para a homeostase hemodinâmica, a perfusão sanguínea e o funcionamento adequado do organismo. Em condições patológicas, como na hipertensão arterial sistêmica (HAS), essas flutuações na PA podem tornar-se exacerbadas ou situar-se fora de valores considerados normais, caracterizando elevada variab ...
Introdução: A pressão arterial (PA) é uma variável fisiológica dinâmica, cuja função primária é garantir respostas adequadas às demandas impostas ao sistema cardiovascular, sendo um parâmetro essencial para a homeostase hemodinâmica, a perfusão sanguínea e o funcionamento adequado do organismo. Em condições patológicas, como na hipertensão arterial sistêmica (HAS), essas flutuações na PA podem tornar-se exacerbadas ou situar-se fora de valores considerados normais, caracterizando elevada variabilidade de PA. Nesse contexto, a variabilidade de PA desponta como um marcador relevante de risco cardiovascular, com valor prognóstico adicional aos valores médios de PA. Uma das principais formas de avaliar a variabilidade de PA é por meio do monitoramento ambulatorial de PA (i.e., variabilidade de curto-prazo), que reflete as flutuações pressóricas nos períodos de 24 horas, diurno e noturno. Entre os tratamentos não-farmacológicos recomendados para a HAS, destaca-se a prática regular de exercícios físicos. Embora os efeitos de diferentes intervenções com treinamento físico sobre os valores médios de PA estejam bem estabelecidos, as evidências disponíveis acerca de seus efeitos sobre a variabilidade de PA ainda são limitadas e apresentam resultados conflitantes, reforçando a necessidade de novos estudos nessa temática. Objetivo: Avaliar os efeitos do treinamento combinado e do treinamento esportivo em beach tennis sobre a variabilidade de PA de curto-prazo em indivíduos com HAS. Metodologia: Trata-se a presente tese de uma análise post-hoc do ensaio clínico “Beach Tennis and Hypertension Study” e de uma análise secundária do ensaio clínico “Resistance Plus Aerobic Training Using Different Weekly Frequencies and Hypertension Study” registrados na plataforma ClinicalTrials.gov sob os identificadores NCT03909308 e NCT04218903, respectivamente. Para fins destas análises, foram considerados participantes com diagnóstico prévio de HAS e taxa de comparecimento às sessões de treinamento, em ambos os estudos, de pelo menos 80%. No estudo 11 1, os participantes foram randomizados (taxa de alocação de 2:1) para uma intervenção em beach tennis (duas sessões por semana de 45 – 60 minutos) ou intervenção controle sem-exercício, ambas com duração de 12 semanas. No estudo 2, os participantes foram randomizados (taxa de alocação 1:1) para intervenção de treinamento combinado realizada duas (TC-2) ou quatro vezes (TC-4) por semana por 12 semanas, sendo que os participantes realizaram o mesmo volume de treinamento (120 – 160 minutos por semana). A variabilidade de PA foi avaliada no início do estudo (linha de base) e após 12 semanas de intervenção (final), sendo analisada para a PA sistólica e diastólica nos períodos de 24 horas, diurno e noturno, utilizando os índices desvio padrão (DP) e variabilidade real média (VRM). Os dados foram analisados por meio do modelo de equações de estimativas generalizadas. Resultados estudo 1: Entre os 25 participantes elegíveis para o estudo, 15 foram alocados para o grupo beach tennis e 10 para o grupo controle, sem exercício. Na linha de base, a variabilidade de PA diastólica noturna foi semelhante entre os grupos beach tennis e controle (DP: -1,3 ± 1,2 mmHg; P = 0,269). Após a intervenção, a variabilidade de PA diastólica noturna reduziu no grupo beach tennis em comparação ao grupo controle (DP: -2,2 ± 0,7 mmHg; P = 0,003). Resultados estudo 2: Entre os 47 participantes elegíveis para o estudo, 27 foram alocados para o grupo TC-2 e 20 para o grupo TC-4. Foram encontradas reduções na variabilidade de PA sistólica de 24 horas após 12 semanas de intervenção nos grupos TC-4 (VRM: -2 ± 1; P = 0,003) e TC-2 (VRM: -1 ± 1; P = 0,032). Foram encontradas reduções na variabilidade de PA sistólica no período diurno após 12 semanas de intervenção nos grupos TC-4 (VRM: -3 ± 1; P = 0,008) e TC-2 (VRM: -2 ± 1; P = 0,019). Também foi encontrada redução na variabilidade de PA diastólica no período diurno após 12 semanas de intervenção no grupo TC-2 (VRM: -2 ± 1; P = 0,016). 12 Conclusão: Após 12 semanas de seguimento, as intervenções de beach tennis e de treinamento combinado apresentaram efeitos distintos sobre a variabilidade de PA de curto-prazo em indivíduos com HAS. No Estudo 1, o treinamento esportivo em beach tennis reduziu a variabilidade de PA diastólica no período noturno em indivíduos com HAS. No Estudo 2, ambas as intervenções TC-2 e TC-4 reduziram a variabilidade de PA sistólica nos períodos de 24 horas e diurno em indivíduos idosos com HAS, enquanto a intervenção TC-2 apresentou redução na variabilidade de PA diastólica no período diurno. ...
Abstract
Introduction: Blood pressure (BP) is a dynamic physiological variable whose primary function is to ensure adequate responses to cardiovascular demands, playing a key role in hemodynamic homeostasis, tissue perfusion, and overall physiological function. In pathological conditions such as hypertension, BP fluctuations may become exaggerated or deviate from normal ranges, resulting in elevated BP variability. In this context, BP variability has emerged as a relevant marker of cardiovascular risk, ...
Introduction: Blood pressure (BP) is a dynamic physiological variable whose primary function is to ensure adequate responses to cardiovascular demands, playing a key role in hemodynamic homeostasis, tissue perfusion, and overall physiological function. In pathological conditions such as hypertension, BP fluctuations may become exaggerated or deviate from normal ranges, resulting in elevated BP variability. In this context, BP variability has emerged as a relevant marker of cardiovascular risk, providing prognostic value beyond mean BP levels. One of the main approaches to assess BP variability is ambulatory BP monitoring, which reflects short-term fluctuations over 24-hour, daytime, and nighttime periods. Among the non-pharmacological strategies recommended for hypertension management, regular physical exercise is well established. However, while the effects of exercise interventions on mean BP are well documented, evidence regarding their impact on BP variability remains scarce and inconsistent, highlighting the need for further research in this area. Aim: To evaluate the effects of combined training and recreational beach tennis training on short-term BP variability in individuals with hypertension. Methods: This thesis consists of a post-hoc analysis of the clinical trial “Beach Tennis and Hypertension Study” and a secondary analysis of the clinical trial “Resistance Plus Aerobic Training Using Different Weekly Frequencies and Hypertension Study”, registered at ClinicalTrials.gov under the identifiers NCT03909308 and NCT04218903, respectively. For these analyses, only participants with a previous diagnosis of hypertension and an attendance rate of at least 80% in the training sessions of both studies were included. In Study 1, participants were randomized (allocation ratio 2:1) to a 12-week beach tennis intervention (two sessions per week, lasting 45–60 minutes each) or to a non-exercise control intervention. In Study 2, participants were 14 randomized (allocation ratio 1:1) to combined training performed either two (CT-2) or four times (CT-4) per week for 12 weeks, with both groups undertaking the same weekly training volume (120–160 minutes per week). BP variability was assessed at baseline and after 12 weeks of intervention (final) and analyzed for systolic and diastolic BP over 24-hour, daytime, and nighttime periods using the standard deviation (SD) and average real variability (ARV) indices. Data were analyzed using generalized estimating equation models. Study 1 results: Among 25 participants eligible for the study, 15 were allocated to the beach tennis group and 10 to the non-exercise control group. At the baseline, nighttime diastolic BP variability was similar between beach tennis and control groups (SD: -1.3 ± 1.2 mmHg; P < 0.269). The nighttime diastolic BP variability reduced after the beach tennis intervention compared with control (SD: -2.2 ± 0.7 mmHg; P < 0.003). Study 2 results: Among 47 participants eligible for the study, 27 were allocated to the CT-2 group, and 20 to the CT-4 group. Reductions in 24-hour systolic BP variability were observed in both CT-4 (ARV: -2 ± 1; P = 0.003) and CT-2 (ARV: -1 ± 1; P = 0.032) groups after 12 weeks of interventions. Reductions in daytime systolic BP variability were observed in both CT-4 (ARV: -3 ± 1; P = 0.008) and CT-2 (ARV: -2 ± 1; P = 0.019) groups after 12 weeks of interventions. Daytime diastolic BP variability reduced in CT-2 (ARV: -2 ± 1; P = 0.016) after 12 weeks of intervention. Conclusion: After 12 weeks of follow-up, the beach tennis and combined training interventions produced distinct effects on short-term BP variability. In Study 1, beach tennis training reduced nighttime diastolic BP variability in individuals with hypertension. In Study 2, both CT-2 and CT-4 interventions decreased systolic BP variability over 24-hour and daytime periods, while the CT-2 intervention additionally reduced daytime diastolic BP variability in older adults with hypertension. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares.
Coleções
-
Ciências da Saúde (9632)
Este item está licenciado na Creative Commons License


