Análise do absenteísmo e índice de segurança técnica na enfermagem hospitalar : reflexos no dimensionamento de pessoal
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Data
2025Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Outro título
Analysis of absenteeism and technical safety index in hospital nursing : reflections on staffing levels
Assunto
Resumo
Introdução: No processo de dimensionamento de pessoal de enfermagem, o Conselho Federal de Enfermagem brasileiro (COFEN) recomenda o Índice de Segurança Técnica (IST), que consiste em um percentual para a cobertura das ausências previstas e não previstas (absenteísmo) sobre o número de profissionais de enfermagem projetado/dimensionado. Há mais de duas décadas, o IST mínimo (15%, dos quais 6,7% são destinados à cobertura do absenteísmo) estabelecido pelo COFEN permanece inalterado, mesmo com ev ...
Introdução: No processo de dimensionamento de pessoal de enfermagem, o Conselho Federal de Enfermagem brasileiro (COFEN) recomenda o Índice de Segurança Técnica (IST), que consiste em um percentual para a cobertura das ausências previstas e não previstas (absenteísmo) sobre o número de profissionais de enfermagem projetado/dimensionado. Há mais de duas décadas, o IST mínimo (15%, dos quais 6,7% são destinados à cobertura do absenteísmo) estabelecido pelo COFEN permanece inalterado, mesmo com evidências que indiquem possível defasagem. Objetivo Geral: Analisar o absenteísmo na equipe de enfermagem hospitalar e suas implicações no Índice de Segurança Técnica e no dimensionamento de pessoal. Método: Trata-se de uma pesquisa com três delineamentos: uma revisão de escopo, um estudo ecológico e uma pesquisa transversal. A revisão de escopo teve como foco mapear evidências científicas sobre a (in)adequação do IST previsto pelo COFEN para cobertura das taxas de absenteísmo da enfermagem hospitalar brasileira. Esta foi desenvolvida segundo os critérios do Joanna Briggs Institute e seu protocolo devidamente registrado em repositório aberto. A busca foi realizada em fevereiro de 2024, em sete fontes de dados. O estudo ecológico teve como propósito comparar as taxas de absenteísmo, o Índice de Segurança Técnica e o dimensionamento do pessoal de enfermagem em hospitais público e privado. Foram utilizados dados agregados das ausências da equipe de enfermagem de 20 unidades de internação para pacientes adultos entre as duas instituições durante o período de 2023 e 2024, além do perfil de dependência de cuidados dos pacientes. Os dados foram obtidos por meio de queries e planilhas institucionais. Os cálculos das taxas de absenteísmo, IST e do dimensionamento de pessoal respeitaram as normativas do COFEN, de 2024. Para a análise comparativa entre os hospitais, foi utilizada estatística inferencial, além da comparação entre dois quadros de pessoal: um dimensionado com base no IST estimado nas unidades de internação e outro utilizando o percentual mínimo (15%). Por fim, o estudo transversal teve o objetivo de verificar as características do absenteísmo da equipe de enfermagem e os fatores associados. Foi conduzido em um hospital público com profissionais de enfermagem das unidades de internação adulto que registraram ao menos um episódio de afastamento no período de 2023-2024. Os dados foram obtidos por queries institucionais. Os colaboradores ou afastamentos foram agrupados de acordo com o padrão de ausências frequentes ou prolongadas. Utilizou-se a análise estatística descritiva, cálculo da taxa de absenteísmo e Regressão de Poisson, considerando p≤0,05. O projeto de pesquisa foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa dos dois hospitais investigados, sob pareceres nº 6.856.300/2024 e 7.397.457/2025. Resultados: Os resultados foram apresentados em três artigos científicos. Na revisão de escopo, foram analisados 29 estudos. Destes, 86,2% apontaram incompatibilidade com o percentual de cobertura de ausências preconizado pelo COFEN. As taxas de absenteísmo variaram de 0% a 44,7% entre enfermeiros e de 0,47% a 46% entre técnicos/auxiliares. O Índice de Segurança Técnica estimado oscilou de 8,3% a 53% para enfermeiros e de 8,77% a 54,3% para profissionais de nível médio. O estudo ecológico identificou que os hospitais público e privado registraram, respectivamente, horas de afastamento (17.434,5±4.965,7 versus 7.926,8±3.038,8), taxas de absenteísmo (9,5%±0,8 versus 5,3%±1,4%) e ISTs (17,8%±0,8% versus 13,6%±1,4%) significativamente distintos (p-valor<0,001). O nível de dependência dos pacientes predominante na instituição pública foi de cuidados semi-intensivos (n=17.260; 47,2%). Já no privado, de cuidados mínimos (n=47.615; 28,0%). No hospital público, os IST calculados a partir das horas de afastamento mostraram-se superiores ao parâmetro mínimo de 15% estabelecido pelo COFEN, enquanto, no hospital privado, permaneceram, predominantemente, abaixo desse parâmetro. Por consequência, os quadros de pessoal de enfermagem dimensionados foram distintos com o uso dos parâmetros mínimos em comparação ao IST calculado no hospital público, e, o privado, permaneceu-se inalterado. O estudo transversal realizado no hospital público teve uma amostra de 957 profissionais absenteístas. Foram registrados 5.009 casos de afastamentos no período, com predomínio por doença (86,4%). A taxa mediana do absenteísmo entre enfermeiros foi de 3,2% (1,4-5,8) e de técnicos/auxiliares de enfermagem, 4,9% (1,9-10,3). Os afastamentos frequentes foram associados ao sexo feminino (RP=4,13; IC95% 1,32-12,9; p=0,015), à ocupação de nível médio (RP=2,43; IC95% 1,03-5,73; p=0,042), ao turno vespertino (RP=10,1; IC95% 1,40-72,8; p=0,022) e ao grupo etário mais jovem (41,1 ± 7,4; p=0,025). Já os afastamentos prolongados associaram-se ao cargo de nível médio (RP=2,08; IC95% 1,44-3,0; p<0,001), à maior idade (RP=1,03; IC95% 1,01-1,05; p=0,010), ao sexo masculino (RP=1,61; IC95% 1,19-2,16; p=0,002), a ser divorciado/separado (RP=1,44; IC95% 1,01-2,04; p=0,043) ou viúvo (RP=1,61; IC95% 1,04-2,47; p=0,031), a afastamento por doença (RP=18,4; IC95% 2,60-131; p=0,004), a licenças (RP=38,5; IC95% 5,29-280; p<0,001) e ao tempo de instituição (RP=1,02; IC95% 1,00-1,03; p=0,029). Conclusões: Tendo em vista a disparidade entre o parâmetro mínimo de cobertura de ausências e as taxas de absenteísmo constatadas na revisão de escopo, ratificada na comparação entre os hospitais público e privado, este estudo aponta a necessidade de uma revisão dos parâmetros mínimos recomendados pelo COFEN, em especial, no setor público. A alta dependência de cuidados da clientela, atrelada à estabilidade no emprego no hospital público, pode ser a raiz das taxas de absenteísmo muito mais elevadas nesse setor. Ademais, características sociodemográficas e laborais estão relacionadas aos diferentes padrões de absenteísmo, evidenciando que os trabalhadores de nível médio necessitam de maior atenção. ...
Abstract
Introduction: In the process of determining nursing staff sizes, the Brazilian Federal Nursing Council (COFEN, acronym in Portuguese) recommends the Technical Safety Index (TSI), which consists of a percentage for covering planned and unplanned absences (absenteeism) in relation to the projected/sized number of nursing professionals. For more than two decades, the minimum IST (15%, of which 6.7% is allocated to absenteeism coverage) established by COFEN has remained unchanged, even with evidenc ...
Introduction: In the process of determining nursing staff sizes, the Brazilian Federal Nursing Council (COFEN, acronym in Portuguese) recommends the Technical Safety Index (TSI), which consists of a percentage for covering planned and unplanned absences (absenteeism) in relation to the projected/sized number of nursing professionals. For more than two decades, the minimum IST (15%, of which 6.7% is allocated to absenteeism coverage) established by COFEN has remained unchanged, even with evidence indicating a possible shortfall. General Objective: To analyze absenteeism among hospital nursing staff and its implications for technical safety and staffing levels. Method: This study employs a three-part design, comprising a scoping review, an ecological study, and a cross-sectional study. The scoping review focused on mapping scientific evidence on the (in)adequacy of the TSI predicted by COFEN to cover absenteeism rates among Brazilian hospital nurses. It was developed in accordance with the criteria of the Joanna Briggs Institute, and its protocol was duly registered in an open repository. The search was conducted in February 2024 in seven data sources. The purpose of the ecological study was to compare absenteeism rates, the technical safety index, and nursing staff sizing in public and private hospitals. Aggregate data on nursing staff absences from all 20 adult inpatient units between the two institutions during the period from 2023 to 2024, and the care dependency profile of patients were used. The data were obtained through queries and institutional spreadsheets. The calculations of absenteeism rates, TSI, and staffing levels complied with COFEN regulations from 2024. For the comparative analysis between hospitals, inferential statistics were used, in addition to the comparison between two staffing tables: one sized based on the estimated TSI in the inpatient units and the other using the recommended minimum percentage (15%). Finally, the cross-sectional study aimed to verify the characteristics of nursing staff absenteeism and the factors associated with its frequency by episodes, days of leave, and event rates. This was conducted in a public hospital with nursing professionals from adult inpatient units who recorded at least one episode of leave in the period 2023-2024. The data were obtained through institutional queries. Employees' absences were segregated into groups representing patterns of frequent or prolonged absences. Descriptive statistical analysis, calculation of the absenteeism rate, and Poisson regression were used, with p ≤ 0.05 considered statistically significant. The research project was approved by the Research Ethics Committees of the two research hospitals, under opinions No. 6,856,300/2024 and 7,397,457/2025. Results: The results were presented in three scientific articles. In the scope review, 29 studies were analyzed. Of these, 86.2% pointed to incompatibility with the percentage of absence coverage recommended by the entity. Absenteeism rates ranged from 0% to 44.7% among nurses and from 0.47% to 46% among technicians/assistants. The estimated technical safety index ranged from 8.3% to 53% for nurses and from 8.77% to 54.3% for mid-level professionals. The ecological study identified that public and private hospitals recorded, respectively, hours of leave (17,434.5±4,965.7 versus 7,926.8±3,038.8), absenteeism rates (9.5%±0.8 versus 5.3%±1.4%), and technical safety indices (17.8%±0.8% versus 13.6%±1.4%) that were significantly different (p-value < 0.001). The predominant level of patient dependency in the public institution was semi-intensive care (n = 17,260; 47.2%). In the private institution, the rate of minimal care was 28.0% (n = 47,615). In the public hospital, the STIs calculated based on hours of absence were higher than the minimum parameter of 15% established by COFEN. Conversely, in the private hospital, they remained primarily below this parameter. Consequently, the nursing staffing levels determined differed when using the minimum parameters compared to the TSI calculated in the public hospital, while the private hospital remained unchanged. The cross-sectional study conducted at the public hospital had a sample of 957 absent professionals. There were 5,009 cases of leave recorded during the period, predominantly due to illness (86.4%). The median absenteeism rates among nurses and nursing technicians/assistants were 3.2% (1.4-5.8) and 4.9% (1.9-10.3), respectively. Frequent absences were associated with female gender (PR=4.13; 95% CI 1.32–12.9; p=0.015), mid-level occupation (PR=2.43; 95% CI 1.03–5.73; p=0.042), the afternoon shift (PR=10.1; 95% CI 1.40-72.8; p=0.022), and the younger age group (41.1 ± 7.4; p=0.025). Prolonged absences were associated with mid-level positions (PR=2.08; 95% CI 1.44–3.0; p<0.001), older age (PR=1.03; 95% CI 1.01–1.05; p=0.010), male gender (PR=1.61; 95% CI 1.19–2.16; p=0.002), being divorced/separated (PR=1.44; 95% CI 1.01-2.04; p=0.043) or widowed (PR=1.61; 95% CI 1.04–2.47; p=0.031), sick leave (PR=18.4; 95% CI 2.60–131; p=0.004), leave of absence (PR=38.5; 95% CI 5.29–280; p<0.001), and length of service (OR=1.02; 95% CI 1.00–1.03; p=0.029). Conclusions: Given the disparity between the minimum parameter for covering absences and the absenteeism rates found in the scope review, as ratified in the comparison between public and private hospitals, this study highlights the need for a review of the minimum parameters recommended by COFEN, especially in the public sector. The high dependence on client care, coupled with job stability in public hospitals, may be the root cause of much higher absenteeism rates in this sector. Additionally, sociodemographic and work characteristics are associated with distinct patterns of absenteeism, indicating that mid-level workers may require more targeted attention. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Enfermagem. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem.
Coleções
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