Construindo contextos : a produção de identidades masculinas na fala-em-interação
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Data
2004Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Esta pesquisa investiga como os participantes produzem e negociam identidades masculinas em salas de aula em uma escola pública do município de Porto Alegre. Através da implementação de conceitos advindos da Sociolingüística Interacional (pistas de contextualização, enquadre e footing) e da Análise da Conversa (análise seqüencial e alocação de turnos), observa-se como questões de gênero e sexualidade tornam-se relevantes na fala em-interação em ambientes institucionais. Durante o segundo semest ...
Esta pesquisa investiga como os participantes produzem e negociam identidades masculinas em salas de aula em uma escola pública do município de Porto Alegre. Através da implementação de conceitos advindos da Sociolingüística Interacional (pistas de contextualização, enquadre e footing) e da Análise da Conversa (análise seqüencial e alocação de turnos), observa-se como questões de gênero e sexualidade tornam-se relevantes na fala em-interação em ambientes institucionais. Durante o segundo semestre de 2003, após um período de observação participativa, aulas foram gravadas em vídeo, formando um corpus de cerca de doze horas de interação. As gravações foram analisadas seguindo princípios de pesquisa microetnográfica propostos por Erickson (1992). Foram selecionados doze segmentos representativos em que os participantes engajam-se na construção de masculinidades hegemônicas e marginalizadas. Os dados gerados evidenciam que há uma orientação local para o estabelecimento de uma identidade masculina predominante à qual são associadas características como força, físico musculoso, heterossexualidade e exercício de poder sobre outros. Grande parte dos meninos busca a afirmação dessa masculinidade hegemônica por meio de exibição de poder e submissão de outros meninos, desempenhando atos de ameaça verbal e de agressão física. As meninas são comumente vistas como objetos sexuais e colocadas, também, em posição subalterna à masculinidade localmente valorizada. Algumas meninas, contudo, resistem à atribuição de traços como a submissão e a visão sexualizada de suas identidades, formando alianças e engajando-se em disputas verbais para demonstrar sua oposição. Há, ao redor da masculinidade hegemônica local, outras identidades masculinas marginalizadas que não são legitimadas no contexto da escola. Essas identidades subalternas não estão invisíveis para os participantes, porém não são valorizadas como masculinidades desejáveis por grande parte dos meninos. ...
Abstract
This research investigates how participants produce and negotiate masculine identities in the classroom in a public school located in Porto Alegre. Through the use of concepts derived from Interactional Sociolinguistics (contextualization cues, framing and footing) and Conversation Analysis (sequential analysis and turn allocation), it is observed how issues related to gender and sexuality become relevant in talk-in-interaction in institutional settings. During the second semester of 2003, less ...
This research investigates how participants produce and negotiate masculine identities in the classroom in a public school located in Porto Alegre. Through the use of concepts derived from Interactional Sociolinguistics (contextualization cues, framing and footing) and Conversation Analysis (sequential analysis and turn allocation), it is observed how issues related to gender and sexuality become relevant in talk-in-interaction in institutional settings. During the second semester of 2003, lessons were videotaped after participant observation, forming a research corpus of approximately twelve hours of interaction. These recordings were then analyzed following principles of microethnographic research proposed by Erickson (1992). Twelve representative segments in which participants engage in the construction of hegemonic and marginalized masculinities were selected. The generated data provide evidence that there is a local orientation to the establishment of a predominant masculine identity to which characteristics such as power, a muscular body, heterosexuality, and exercise of power over others are ascribed. Most boys search the implementation of this hegemonic masculinity by displaying their power and subduing other boys, performing acts of verbal threat and physical aggression. The girls are commonly seen as sexual objects and also put in a subservient position in relation to the locally valued masculinity. Some girls, however, resist to the assignment of features such as submission and a sexualized stance of their identities, forming alliances and engaging in verbal disputes to display their opposition. Surrounding the local hegemonic masculinity, there are other marginalized masculine identities that are not legitimated in the school context. Although these subservient identities are not invisible to participants, they are not valued as desirable masculinities by most boys. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras. Programa de Pós-Graduação em Letras.
Coleções
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Linguística, Letras e Artes (3083)Letras (1893)
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