Proteômica de células estromais endometriais humanas tratadas com angiotensina II : análise de proteínas e vias de sinalização potencialmente envolvidas na endometriose
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Data
2025Autor
Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Introdução: A endometriose é uma patologia crônica, inflamatória e estrógeno-dependente, caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico, acometendo até 10% das mulheres em idade reprodutiva. Clinicamente, manifesta-se predominantemente por dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica e infertilidade, impactando negativamente a qualidade de vida das pacientes. A etiopatogênese permanece incerta, sendo associada a múltiplas hipóteses, incluindo menstruação retrógrada, diferenciação ...
Introdução: A endometriose é uma patologia crônica, inflamatória e estrógeno-dependente, caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico, acometendo até 10% das mulheres em idade reprodutiva. Clinicamente, manifesta-se predominantemente por dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica e infertilidade, impactando negativamente a qualidade de vida das pacientes. A etiopatogênese permanece incerta, sendo associada a múltiplas hipóteses, incluindo menstruação retrógrada, diferenciação celomática e alterações imunoinflamatórias. Objetivo: Investigar o perfil proteômico diferencial de células estromais endometriais humanas (hESC) submetidas ao tratamento com angiotensina II (Ang II), com o intuito de identificar biomarcadores específicos e elucidar vias de sinalização intracelular potencialmente envolvidas na fisiopatologia da endometriose. Métodos: Este estudo experimental in vitro foi conduzido utilizando hESC isoladas de biópsias endometriais de pacientes. As células foram cultivadas em condições controladas e tratadas com diferentes concentrações de Ang II. A análise proteômica foi realizada por espectrometria de massas de alta resolução, permitindo a identificação de proteínas diferencialmente expressas. A caracterização molecular envolveu ferramentas avançadas de bioinformática para mapeamento de vias metabólicas e redes de interação proteína-proteína. A validação dos biomarcadores identificados foi conduzida po immunoblotting, ensaios enzimáticos e testes funcionais avaliando viabilidade, migração e permeabilidade celular. As análises estatísticas foram realizadas no software GraphPad Prism 5.0, adotando um nível de significância de p < 0,05. Resultados: A análise proteômica das hESCs tratadas com angiotensina II (Ang II) identificou 523 proteínas diferencialmente expressas, sendo 226 upreguladas e 297 downreguladas. As proteínas aumentadas estavam associadas à organização do citoesqueleto, migração celular e sinalização por integrinas, enquanto as reduzidas envolviam funções mitocondriais. As análises de enriquecimento (GO, KEGG e IPA) indicaram ativação de vias relacionadas à adesão focal, remodelamento do citoesqueleto e estresse oxidativo, com destaque para a quinase ILK como regulador central. A comparação com proteomas de biofluidos de pacientes com endometriose revelou 50 proteínas compartilhadas, relacionadas a processos de inflamação, adesão celular e função reprodutiva, sugerindo uma convergência molecular relevante. Conclusão: Os achados indicam que a angiotensina II ativa vias associadas à migração celular, inflamação e remodelação do citoesqueleto em células estromais endometriais, com destaque para o eixo integrina–ILK. Algumas proteínas reguladas também foram encontradas em biofluidos de pacientes com endometriose, sugerindo seu potencial como biomarcadores ou alvos terapêuticos. Esses dados apontam a via da Ang II como possível contribuidora na fisiopatologia da doença e indicam novas estratégias diagnósticas e terapêuticas não hormonais. ...
Abstract
Introduction: Endometriosis is a chronic, inflammatory, estrogen-dependent disease characterized by the presence of ectopic endometrial tissue, affecting up to 10% of women of reproductive age. Clinically, it predominantly manifests as dysmenorrhea, dyspareunia, chronic pelvic pain, and infertility, significantly impacting patients' quality of life. Its etiopathogenesis remains uncertain and is associated with multiple hypotheses, including retrograde menstruation, coelomic differentiation, and ...
Introduction: Endometriosis is a chronic, inflammatory, estrogen-dependent disease characterized by the presence of ectopic endometrial tissue, affecting up to 10% of women of reproductive age. Clinically, it predominantly manifests as dysmenorrhea, dyspareunia, chronic pelvic pain, and infertility, significantly impacting patients' quality of life. Its etiopathogenesis remains uncertain and is associated with multiple hypotheses, including retrograde menstruation, coelomic differentiation, and immunoinflammatory alterations. Objective: To investigate the differential proteomic profile of human endometrial stromal cells (hESC) subjected to treatment with angiotensin II (Ang II) to identify specific biomarkers and elucidate intracellular signaling pathways potentially involved in the pathophysiology of endometriosis. Methods: This in vitro experimental study was conducted using hESC isolated from endometrial biopsies of patients. The cells were cultured under controlled conditions and treated with different concentrations of Ang II. Proteomic analysis was performed using high-resolution mass spectrometry, allowing the identification of differentially expressed proteins. Molecular characterization involved advanced bioinformatics tools for mapping metabolic pathways and protein-protein interaction networks. Biomarker validation was conducted through immunoblotting, enzymatic assays, and functional tests evaluating cell viability, migration, and permeability. Statistical analyses were performed using GraphPad Prism 5.0 software, considering a significance level of p < 0.05. Results: Proteomic analysis of hESCs treated with angiotensin II (Ang II) identified 523 differentially expressed proteins, with 226 upregulated and 297 downregulated. Upregulated proteins were associated with cytoskeletal organization, cell migration, and integrin signaling, while downregulated proteins were related to mitochondrial functions. Enrichment analyses (GO, KEGG, and IPA) indicated activation of pathways related to focal adhesion, cytoskeleton remodeling, and oxidative stress, highlighting ILK kinase as a central regulator. Comparative analysis with proteomes from biofluids of endometriosis patients revealed 50 shared proteins, involved in inflammation, cell adhesion, and reproductive function, suggesting a relevant molecular convergence. Conclusion: The findings indicate that angiotensin II activates pathways related to cell migration, inflammation, and cytoskeletal remodeling in endometrial stromal cells, with emphasis on the integrin–ILK axis. Some regulated proteins were also found in biofluids from endometriosis patients, suggesting their potential as biomarkers or therapeutic targets. These data point to Ang II signaling as a possible contributor to disease pathophysiology and highlight new non-hormonal diagnostic and therapeutic strategies. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Ginecologia e Obstetrícia.
Coleções
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Ciências da Saúde (9677)
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