Avaliação da taxa de infecção puerperal em cesarianas e impacto após a introdução de profilaxia adicional com azitromicina
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Data
2025Orientador
Nível acadêmico
Especialização
Assunto
Resumo
A infecção puerperal continua sendo uma causa significativa de morbidade e mortalidade materna, especialmente após cesarianas, que apresentam um risco de infecção de cinco a vinte vezes maior em comparação ao parto vaginal. O uso de antibióticos profiláticos é uma medida bem estabelecida para reduzir esse risco, sendo as cefalosporinas de primeira geração o regime padrão. No entanto, estudos recentes sugerem que a adição da azitromicina como profilaxia complementar pode reduzir ainda mais as ta ...
A infecção puerperal continua sendo uma causa significativa de morbidade e mortalidade materna, especialmente após cesarianas, que apresentam um risco de infecção de cinco a vinte vezes maior em comparação ao parto vaginal. O uso de antibióticos profiláticos é uma medida bem estabelecida para reduzir esse risco, sendo as cefalosporinas de primeira geração o regime padrão. No entanto, estudos recentes sugerem que a adição da azitromicina como profilaxia complementar pode reduzir ainda mais as taxas de infecção, principalmente em cesarianas não eletivas e em pacientes de alto risco. Este estudo quasi-experimental utilizou um delineamento de série temporal para comparar duas coortes retrospectivas: uma antes (janeiro de 2018 a setembro de 2021) e outra depois (outubro de 2021 a junho de 2024) da implementação de um protocolo adicional de profilaxia com azitromicina no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Foram analisadas 7.690 cesarianas, com 137 casos de infecção pós-operatória registrados. Os resultados demonstraram uma redução significativa na taxa de infecção, de 2,23% antes do protocolo para 0,99% após sua introdução. A análise da razão de chances indicou uma redução de 57% no risco de infecção (OR 0,43, IC 95% [0,291 - 0,649]). A análise dos desfechos secundários revelou que a maioria das infecções notificadas foi de ferida operatória (77%), sendo a obesidade (IMC ≥40), o trabalho de parto prolongado e os procedimentos de urgência fatores de risco relevantes. Apesar da implementação do protocolo, a azitromicina não foi administrada em 54,5% dos casos em que havia indicação, sugerindo oportunidades de melhoria na adesão. Os achados estão alinhados com a literatura internacional e reforçam a eficácia da azitromicina como agente profilático complementar em cesarianas de alto risco. Considerando seu baixo custo e ampla disponibilidade, a implementação mais abrangente em hospitais brasileiros pode contribuir significativamente para a redução da morbidade materna associada a infecções. ...
Abstract
Puerperal infection remains a significant cause of maternal morbidity and mortality, particularly following cesarean deliveries, which present a five to twenty times higher risk compared to vaginal births. Prophylactic antibiotic use is a well-established measure to mitigate these risks, with first-generation cephalosporins being the standard regimen. However, recent studies suggest that adding azithromycin as an adjunctive prophylactic agent could further reduce infection rates, particularly i ...
Puerperal infection remains a significant cause of maternal morbidity and mortality, particularly following cesarean deliveries, which present a five to twenty times higher risk compared to vaginal births. Prophylactic antibiotic use is a well-established measure to mitigate these risks, with first-generation cephalosporins being the standard regimen. However, recent studies suggest that adding azithromycin as an adjunctive prophylactic agent could further reduce infection rates, particularly in high-risk and non-elective cesarean sections. This quasi-experimental study employed a time-series design, comparing two retrospective cohorts: one before (January 2018 to September 2021) and one after (October 2021 to June 2024) the implementation of an additional prophylactic protocol with azithromycin at Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A total of 7,690 cesarean sections were analyzed, with 137 cases of postoperative infections recorded. The results demonstrated a significant reduction in infection rates, from 2.23% before the protocol to 0.99% after its introduction. The odds ratio analysis indicated a 57% decrease in infection risk (OR 0.43, 95% CI [0.291 - 0.649]). Secondary outcome analysis revealed that most infections were surgical site infections (77%), with obesity (IMC ≥40), prolonged labor, and emergency procedures being key risk factors. Despite the protocol implementation, azithromycin was not administered in 54.5% of cases where it was indicated, suggesting opportunities for improvement in adherence. The findings align with international literature and reinforce the efficacy of azithromycin as an adjunct prophylactic agent in high-risk cesarean deliveries. Considering its low cost and accessibility, broader implementation in Brazilian hospitals could significantly contribute to maternal health improvements by reducing infection-related morbidity. ...
Instituição
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Curso de Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia.
Coleções
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Ciências da Saúde (1670)
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