Estudo sobre a administração de ácido tranexâmico ou placebo sobre a taxa de sangramento perioperatório em pacientes adultos submetidos a transplante hepático
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Data
2024Orientador
Nível acadêmico
Especialização
Assunto
Resumo
O transplante hepático é um procedimento complexo associado a altos índices de morbimortalidade, sendo o sangramento intraoperatório uma complicação significativaque demanda intervenções eficazes. O uso do ácido tranexâmico tem demonstrado benefícios em diversas cirurgias, mas dados sobre sua eficácia e segurança no transplante hepático ainda são limitados. Este estudo busca preencher essa lacuna, avaliando o papel do ácido tranexâmico na redução de sangramento e em outros desfechos clínicos ne ...
O transplante hepático é um procedimento complexo associado a altos índices de morbimortalidade, sendo o sangramento intraoperatório uma complicação significativaque demanda intervenções eficazes. O uso do ácido tranexâmico tem demonstrado benefícios em diversas cirurgias, mas dados sobre sua eficácia e segurança no transplante hepático ainda são limitados. Este estudo busca preencher essa lacuna, avaliando o papel do ácido tranexâmico na redução de sangramento e em outros desfechos clínicos nesse contexto. O objetivo primário foi avaliar a eficácia do ácido tranexâmico em comparação ao placebo na redução do volume de sangramento intraoperatório e pós-operatório imediato em pacientes submetidos a transplante hepático. Os objetivos secundários incluíram a avaliação de mortalidade em 30 dias, taxa de transfusões de hemocomponentes e hemoderivados, administração de fluidos, incidência de eventos tromboembólicos e potenciais efeitos adversos, além de parâmetros hemodinâmicos e metabólicos. Foi realizado um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, comparando ácido tranexâmico (10 mg/kg em bolus seguido por infusão contínua) ao placebo em pacientes adultos submetidos a transplante hepático. Foram analisados desfechos relacionados a sangramento, mortalidade, complicações tromboembólicas e parâmetros laboratoriais. A análise estatística utilizou o princípio de intenção de tratar e modelos de regressão ajustados para fatores de confusão. O ácido tranexâmico foi associado a uma menor taxa de transfusão de hemácias (42% vs. 56%; p = 0,01) e a um menor tempo de permanência em UTI (média de 20 dias vs. 26 dias; p = 0,037). Não houve diferença significativa no volume total de sangramento intraoperatório (2346mLvs. 2250 mL; p =0,386)ounaincidência deeventos tromboembólicos (5,9% vs. 8,6%; p = 0,542). Pacientes do grupo controle apresentaram maior incidência de infecções por germes multirresistentes (42,9% vs. 23,5%; p = 0,016). O ácido tranexâmico mostrou-se seguro e eficaz na redução de transfusões e no tempo de permanência em UTI, sem aumentar o risco de complicações tromboembólicas. Esses resultados reforçam a aplicabilidade do manejo antifibrinolítico no transplante hepático, sugerindo um impacto positivo em desfechos perioperatórios. Estudos futuros devem explorar o uso profilático do ácido tranexâmico em maior escala para validar esses achados e otimizar protocolos clínicos. ...
Abstract
Liver transplantation is a complex procedure associated with high rates of morbidity and mortality, with intraoperative bleeding being a significant complication requiring effective interventions. The use of tranexamic acid has demonstrated benefits in various surgeries, but data on its efficacy and safety in liver transplantation remain limited. This study aims to address this gap by evaluating the role of tranexamic acid in reducing bleeding and other clinical outcomes in this context. The pr ...
Liver transplantation is a complex procedure associated with high rates of morbidity and mortality, with intraoperative bleeding being a significant complication requiring effective interventions. The use of tranexamic acid has demonstrated benefits in various surgeries, but data on its efficacy and safety in liver transplantation remain limited. This study aims to address this gap by evaluating the role of tranexamic acid in reducing bleeding and other clinical outcomes in this context. The primary objective was to evaluate the efficacy of tranexamic acid compared to placebo in reducing the volume of intraoperative and immediate postoperative bleeding in patients undergoing liver transplantation. Secondary objectives included the assessment of 30-day mortality, rates of transfusion of blood components and derivatives, fluid administration, incidence of thromboembolic events, and potential adverse effects, as well as hemodynamic and metabolic parameters. A randomized, double-blind clinical trial was conducted, comparing tranexamic acid (10 mg/kg as a bolus followed by continuous infusion) to placebo in adult patients undergoing liver transplantation. Outcomes related to bleeding, mortality, thromboembolic complications, and laboratory parameters were analyzed. Statistical analysis utilized the intention-to-treat principle and regression models adjusted for confounding factors. Tranexamic acid was associated with a lower red blood cell transfusion rate (42% vs. 56%; p = 0.01) and shorter ICU stays (average of 20 days vs. 26 days; p = 0.037). There was no significant differencein thetotal volumeof intraoperativebleeding (2346mL vs. 2250 mL; p = 0.386) or the incidence of thromboembolic events (5.9% vs. 8.6%; p = 0.542). Patients in the control group showed a higher incidence of infections caused by multidrug-resistant organisms (42.9% vs. 23.5%; p = 0.016). Tranexamic acid proved to be safe and effective in reducing transfusions and ICU stays without increasing the risk of thromboembolic complications. These results reinforce the applicability of antifibrinolytic management in liver transplantation, suggesting a positive impact on perioperative outcomes. Future studies should explore the prophylactic use of tranexamic acid on a larger scale to validate these findings and optimize clinical protocols. ...
Instituição
Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Curso de Programa de Residência Médica em Anestesiologia.
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Ciências da Saúde (1759)
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