Olhando para o cérebro dos aprendentes : reflexões para um desencantamento imagético na educação

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Data
2016Tipo
Resumo
As práticas escolares têm sido protagonistas na produção de demandas que capturam crianças dentro de um circuito biomédico de exames neurológicos. A penetração das neurociências na educação está relacionada às expectativas hiperbólicas em relação às imagens cerebrais no atual contexto socioeconômico dos países ocidentais. A cerebralização da educação e a crescente padronização de seus processos vêm enfraquecendo as práticas de artesania que possibilitam um olhar singular para sujeitos aprendent ...
As práticas escolares têm sido protagonistas na produção de demandas que capturam crianças dentro de um circuito biomédico de exames neurológicos. A penetração das neurociências na educação está relacionada às expectativas hiperbólicas em relação às imagens cerebrais no atual contexto socioeconômico dos países ocidentais. A cerebralização da educação e a crescente padronização de seus processos vêm enfraquecendo as práticas de artesania que possibilitam um olhar singular para sujeitos aprendentes. Discutimos o “neuroabuso” do prefixo neuro- e o reducionismo do ensinar-aprender para o cognitivo-cerebral. Partindo de uma breve revisão da história dos exames de imagem desde o século XIX e uma discussão sobre a semiótica das imagens cerebrais, problematizamos o encantamento produzido pelas imagens que desvelam o interior do crânio. Apontamos para a necessidade de um “desencantamento imagético” que pode ampliar o olhar para aqueles sujeitos cujos processos de aprendizado demandam bem mais do que tomografias computadorizadas. ...
Abstract
School practices play an active role in producing demands that constrain children within a biomedical circuit of neurological exams. The permeation of neurosciences into education is related to the hyperbolic expectations generated by brain images in the present social-economic context in Western countries. Cerebralization of education and the growing standardization undermines the early “art form” of having singular views towards learning subjects. The “neuroabuse” of the neuroprefix and the r ...
School practices play an active role in producing demands that constrain children within a biomedical circuit of neurological exams. The permeation of neurosciences into education is related to the hyperbolic expectations generated by brain images in the present social-economic context in Western countries. Cerebralization of education and the growing standardization undermines the early “art form” of having singular views towards learning subjects. The “neuroabuse” of the neuroprefix and the reductionism of the teaching-learning process to cognitive-cerebral function are discussed in this article. From a short review of the history of medical imaging since the 19th century and a discussion about the semiotics of brain images, this article reflects upon the enchantment produced by pictures that unveil the inner side of the skull. We point out the need for a “pictorial disenchantment” that might broaden the gaze to those subjects whose learning process demands far more than brain scans. ...
Contido em
Culturas Psi. Buenos Aires, Argentina. Num. 6 (mar. 2016), p. 12-27
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