Léxico do precipício : angústia, desmarginação e transferência
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Data
2025Autor
Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Graduação
Resumo
A presente pesquisa propõe uma reflexão sobre a clínica da angústia e a posição ética do analista em formação diante do real da finitude, a partir de uma experiência de estágio em Psicologia Hospitalar em um hospital de alta complexidade. O encontro com o sofrimento e a morte convoca uma questão central: como sustentar a vertigem da angústia sem cair — e o que a literatura pode ensinar à psicanálise sobre o manejo do indizível? Toma-se como eixo articulador a noção de léxico do precipício, expr ...
A presente pesquisa propõe uma reflexão sobre a clínica da angústia e a posição ética do analista em formação diante do real da finitude, a partir de uma experiência de estágio em Psicologia Hospitalar em um hospital de alta complexidade. O encontro com o sofrimento e a morte convoca uma questão central: como sustentar a vertigem da angústia sem cair — e o que a literatura pode ensinar à psicanálise sobre o manejo do indizível? Toma-se como eixo articulador a noção de léxico do precipício, expressão da escritora italiana Elena Ferrante, que designa a tentativa de nomear o que escapa à linguagem, circunscrevendo o vazio sem preenchê-lo. A partir dessa imagem, o trabalho constrói uma interlocução entre a experiência clínica e a escrita literária, na companhia de Freud, Winnicott e Lacan, buscando pensar a escuta como um exercício que, diante da angústia, busca constituir um borda. A análise da experiência conduz à distinção entre desaparecimento — o trauma sem inscrição, o vazio sem contorno — e ausência, a falta que se elabora na narrativa. Tal distinção se ilumina na escrita de Ferrante, quando o desaparecimento de Lila se transforma em ausência pela narrativa de Elena, gesto que ressoa na escrita do analista como ato de elaboração simbólica. Conclui-se que a ética da escuta exige do analista flertar com a desmarginação e a aceitação de um saber em fracasso. A angústia, longe de ser um obstáculo, torna-se bússola clínica. A escrita, por sua vez, se revela como ato ético de invenção: não para resolver a angústia, mas para habitá-la, traçando, palavra a palavra, uma frágil passarela que pode sustentar o sujeito à beira do indizível. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação Humana. Curso de Psicologia.
Coleções
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TCC Psicologia (577)
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