Desenvolvimento econômico e relações de trabalho : o caso da Coreia do Sul
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Data
2025Autor
Orientador
Nível acadêmico
Graduação
Assunto
Resumo
Caracterizada por uma estrutura econômica basicamente agrária até a década de 1950, a Coreia do Sul posiciona-se atualmente como uma das principais economias do mundo. Embora as raízes do desenvolvimento acelerado sul coreano continue sendo um importante campo de investigação para a ciência econômica, pouca ênfase foi dada aos sistemas de relações de trabalho emergentes durante o período de industrialização do país, isto é, entre 1961 e 1987. Este trabalho se propõe a investigar como foram enfr ...
Caracterizada por uma estrutura econômica basicamente agrária até a década de 1950, a Coreia do Sul posiciona-se atualmente como uma das principais economias do mundo. Embora as raízes do desenvolvimento acelerado sul coreano continue sendo um importante campo de investigação para a ciência econômica, pouca ênfase foi dada aos sistemas de relações de trabalho emergentes durante o período de industrialização do país, isto é, entre 1961 e 1987. Este trabalho se propõe a investigar como foram enfrentados os problemas de regulação das relações de trabalho com base no arcabouço analítico do modelo de Dunlop (1993). A pesquisa busca descrever a transição do país de uma economia agrária para uma base industrial urbana, identificar o arranjo institucional e avaliar as consequências das relações de trabalho para o crescimento econômico e condições laborais. A metodologia adotada é predominantemente qualitativa, baseada em revisão bibliográfica das literaturas econômica, trabalhista e institucional sobre a República da Coreia com análise teórica do modelo dunlopiano. Concluímos que tal transformação resultou da combinação entre uma profunda intervenção estatal regulacionista, materializada no planejamento econômico dos Planos Quinquenais, com os conglomerados familiares (chaebols) na estratégia de substituição de importações. Contudo, durante os anos 1960 e 1970, os sindicatos foram rigidamente controlados e a ação trabalhista foi de baixa autonomia, de modo que o Estado, orientado por metas de crescimento e estabilidade produtiva, tornou-se o principal regulador das normas trabalhistas. Houve, nesse período, disciplina rígida, moderação salarial e estímulos à migração da força de trabalho rural para os centros urbanos, criando as bases de um mercado de trabalho industrial amplo e relativamente estável. À medida que a industrialização avançou, surgiram pressões por maior autonomia sindical, melhores condições de trabalho e mecanismos mais formais de negociação coletiva, coincidindo a democratização do país em 1987 com o aprofundamento dos direitos trabalhistas, melhoras salariais e estruturas sindicais. Além disso, o trabalho destaca a influência da cultura confucionista no país, que reforça valores como a hierarquia, lealdade e obediência, permeando a gestão e as relações interpessoais dentro das empresas, especialmente nos chaebols. Essa influência moldou um sistema paternalista que impactou as relações entre trabalhadores, administradores e Estado, ainda que a modernização industrial tenha iniciado mudanças nessas práticas. ...
Abstract
Characterized by an economy that was essentially agrarian until the 1950s, South Korea currently positions itself as one of the world’s leading economies. Although the roots of South Korea’s accelerated development remain an important field of investigation for economic science, little emphasis has been given to the labor relations systems that emerged during the country’s industrialization period, that is, between 1961 and 1987. This work proposes to investigate how the problems of regulating ...
Characterized by an economy that was essentially agrarian until the 1950s, South Korea currently positions itself as one of the world’s leading economies. Although the roots of South Korea’s accelerated development remain an important field of investigation for economic science, little emphasis has been given to the labor relations systems that emerged during the country’s industrialization period, that is, between 1961 and 1987. This work proposes to investigate how the problems of regulating labor relations were addressed based on the analytical framework of Dunlop’s (1993) model. The research seeks to describe the country’s transition from an agrarian economy to an urban industrial base, identify the institutional arrangement, and assess the consequences of labor relations for economic growth and working conditions. The methodology adopted is predominantly qualitative, based on a systematic bibliographic review of the economic, labor, and institutional literature on the Republic of Korea, with a theoretical analysis of the Dunlopian model. We conclude that such transformation resulted from the combination of deep state regulatory intervention, materialized in the economic planning of the Five-Year Plans, with family conglomerates (chaebols) in the import substitution strategy. However, during the 1960s and 1970s, trade unions were strictly controlled and labor action had low autonomy, so the State, guided by goals of growth and productive stability, became the main regulator of labor standards. During this period, there was strict discipline, wage moderation, and incentives for the migration of rural labor to urban centers, creating the foundations of a broad and relatively stable industrial labor market. As industrialization progressed, pressures arose for greater union autonomy, better working conditions, and more formal mechanisms of collective bargaining, with the country’s democratization in 1987 coinciding with the deepening of labor rights, wage improvements, and union structures. Furthermore, the study highlights the influence of Confucian culture in the country, which reinforces values such as hierarchy, loyalty, and obedience, permeating management and interpersonal relations within companies, especially in the chaebols. This influence shaped a paternalistic system that affected relations between workers, managers, and the State, even though industrial modernization began to introduce changes to these practices. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Ciências Econômicas. Curso de Ciências Econômicas.
Coleções
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TCC Ciências Econômicas (1490)
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