Geografias do carbono : perspectivas das emissões corporativas no estado do Rio Grande do Sul (2013-2023)
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Data
2025Orientador
Nível acadêmico
Graduação
Assunto
Resumo
As mudanças climáticas configuram um dos principais desafios globais contemporâneos, exigindo transformações profundas nas formas de produzir, consumir e organizar o território. No Brasil, esse debate ganha relevo tanto pela participação do país nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) quanto pela adoção de metas de mitigação e pela construção de instrumentos de precificação de carbono. Inserido nesse contexto, esta pesquisa analisa a evolução das emissões de CO₂ de empresas com atuação no ...
As mudanças climáticas configuram um dos principais desafios globais contemporâneos, exigindo transformações profundas nas formas de produzir, consumir e organizar o território. No Brasil, esse debate ganha relevo tanto pela participação do país nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) quanto pela adoção de metas de mitigação e pela construção de instrumentos de precificação de carbono. Inserido nesse contexto, esta pesquisa analisa a evolução das emissões de CO₂ de empresas com atuação no Rio Grande do Sul entre 2013 e 2023, a partir dos inventários corporativos registrados no Registro Público de Emissões da Fundação Getúlio Vargas (RPE/FGV), articulando as dimensões setorial e territorial dessas emissões. A pesquisa adota abordagem quantitativa, de caráter descritivo-analítico, baseada em análise documental de uma base institucional pública. A unidade de análise é o par empresa–ano, considerando o conjunto de 37 empresas que registraram ao menos um inventário no período estudado. As emissões totais em tCO₂e são organizadas por setor econômico e por município, o que permite realizar leituras temporal, setorial e espacial. O estudo reconhece limitações associadas ao caráter voluntário do RPE, à heterogeneidade de escopos e fronteiras organizacionais dos inventários e ao fato de o município de sede não refletir necessariamente toda a dispersão geográfica das atividades emissoras, o que recomenda cautela na generalização dos resultados. Os achados indicam forte concentração das emissões em um conjunto restrito de setores e de grandes empresas. As indústrias de transformação e o agrupamento formado por agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura respondem pela maior parte do volume acumulado de emissões, evidenciando o peso de cadeias produtivas intensivas em energia e em carbono na economia gaúcha. Em paralelo, observa-se expansão do número de empresas e de municípios com inventários registrados ao longo da década, bem como a presença crescente de setores tradicionalmente menos associados a emissões intensivas, como serviços, saúde, educação, administração pública e gestão de resíduos. Esse movimento sugere uma difusão gradual, embora desigual, das práticas de mensuração e reporte de GEE no território. A análise mostra, ainda, que os padrões setoriais e territoriais observados no Rio Grande do Sul dialogam com a estrutura das emissões brasileiras e com o avanço recente do arcabouço regulatório e das políticas de descarbonização no país, que tendem a reforçar exigências de transparência e gestão de carbono no setor privado. Ao integrar a perspectiva geográfica à leitura de inventários corporativos, a pesquisa oferece um panorama das emissões de empresas gaúchas e de sua distribuição setorial e territorial, contribuindo para o debate sobre os caminhos da transição para uma economia de baixo carbono em escala regional. ...
Abstract
Climate change is one of the main contemporary global challenges, demanding deep transformations in production, consumption, and territorial organization. In Brazil, this debate gains relevance both due to the country’s contribution to greenhouse gas (GHG) emissions and to the adoption of mitigation targets and emerging carbon pricing instruments. In this context, this study analyzes the evolution of corporate CO₂ emissions from companies operating in the state of Rio Grande do Sul between 2013 ...
Climate change is one of the main contemporary global challenges, demanding deep transformations in production, consumption, and territorial organization. In Brazil, this debate gains relevance both due to the country’s contribution to greenhouse gas (GHG) emissions and to the adoption of mitigation targets and emerging carbon pricing instruments. In this context, this study analyzes the evolution of corporate CO₂ emissions from companies operating in the state of Rio Grande do Sul between 2013 and 2023, based on inventories registered in the Public Emissions Registry of Fundação Getulio Vargas (RPE/FGV). The analysis articulates temporal, sectoral, and territorial dimensions of these emissions. The research adopts a quantitative, descriptive-analytical approach, grounded in documentary analysis of a public institutional database. The unit of analysis is the company–year pair, considering the set of 37 companies that registered at least one inventory during the period. Total emissions in metric tons of CO₂ equivalent (tCO₂e) are organized by economic sector and municipality, allowing for temporal, sectoral, and spatial readings. The study acknowledges limitations related to the voluntary nature of the RPE, the heterogeneity of scopes and organizational boundaries adopted in the inventories, and the fact that the municipality of corporate headquarters does not necessarily reflect the full geographic dispersion of emitting activities, which calls for caution when generalizing the results. The findings indicate a strong concentration of emissions in a restricted group of sectors and large companies. Manufacturing industries and the aggregate formed by agriculture, livestock, forestry, fishing, and aquaculture account for most of the accumulated emissions, highlighting the weight of energy- and carbon-intensive production chains in the regional economy. At the same time, there is an expansion in the number of companies and municipalities with registered inventories over the decade, as well as a growing presence of sectors traditionally less associated with intensive emissions, such as services, health, education, public administration, and waste management. This pattern suggests a gradual, albeit uneven, diffusion of GHG measurement and reporting practices across the territory. The analysis also shows that the sectoral and territorial patterns observed in Rio Grande do Sul resonate with the structure of Brazilian emissions and with the recent development of the national climate policy and decarbonization framework, which tend to reinforce transparency and carbon management requirements for the private sector. By integrating a geographical perspective into the reading of corporate inventories, the study offers an overview of emissions from companies operating in Rio Grande do Sul and their sectoral and territorial distribution, contributing to the debate on pathways toward a low-carbon economy at the regional scale. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Geociências. Curso de Geografia: Bacharelado.
Coleções
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TCC Geografia (525)
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