Relação entre o ambiente alimentar comunitário e o consumo alimentar de pacientes com diabetes mellitus tipo 2 atendidos em ambulatório especializado
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Data
2025Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Graduação
Assunto
Resumo
O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica onerosa tanto para os indivíduos, devido às diversas complicações associadas e consequente redução da qualidade de vida, quanto para o sistema de saúde. Embora as diretrizes nacionais e internacionais reconheçam a relevância da terapia nutricional no manejo do DM2, a adesão ao tratamento é considerada um dos maiores desafios. As barreiras nesse processo são inúmeras e multifatoriais, incluindo o acesso a alimentos saudáveis, que é fortemente ...
O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica onerosa tanto para os indivíduos, devido às diversas complicações associadas e consequente redução da qualidade de vida, quanto para o sistema de saúde. Embora as diretrizes nacionais e internacionais reconheçam a relevância da terapia nutricional no manejo do DM2, a adesão ao tratamento é considerada um dos maiores desafios. As barreiras nesse processo são inúmeras e multifatoriais, incluindo o acesso a alimentos saudáveis, que é fortemente condicionado pelo ambiente alimentar. Este estudo analisou a relação entre o consumo alimentar e o ambiente alimentar em pacientes com DM2 atendidos em ambulatório especializado. Trata-se de um estudo de coorte aninhado a um ensaio clínico randomizado (ECR) que incluiu 147 participantes que receberam aconselhamento nutricional (n = 79; controle) ou aconselhamento adicionado de participação em grupos de educação alimentar (n = 68; intervenção). O ambiente alimentar foi analisado a partir de um buffer circular de 800m tendo a residência do indivíduo como centróide. Os dados dos estabelecimentos de venda de alimentos foram extraídos da base da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil e foram sobrepostos aos buffers. Foi calculado o modified retail food environment index (mRFEI) de cada indivíduo através da proporção dos estabelecimentos classificados como saudáveis em relação aos estabelecimentos fonte de ultraprocessados. Foi avaliada a mudança no consumo alimentar a partir dos recordatórios alimentares de 24h aplicados na visita basal e na visita 2 do ECR, a qual foi realizada após quatro meses. Os alimentos relatados foram então agrupados conforme a classificação NOVA em ingredientes culinários processados, alimentos in natura/minimamente processados, processados e ultraprocessados. As mudanças no consumo alimentar foram avaliadas pela diferença entre médias para o número de alimentos relatados em cada visita. Foi utilizada análise de variância (ANOVA) para verificar a relação entre o mRFEI e as variáveis sociodemográficas, antropométricas, clínicas e de estilo de vida. Em seguida, aplicou-se regressão linear simples para avaliar a associação entre o ambiente alimentar (mRFEI) e as mudanças no consumo alimentar, apresentando-se os coeficientes de regressão (β), valores de p e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Adotou-se um nível de significância de 5% (p < 0,05). Dos 147 participantes incluídos, 56,5% eram mulheres, com idade média de 59±8,5, tempo de duração de diabetes de 16±8,7, IMC médio de 32,4±5,84 e valores de HbA1c médio de 9,3±1,2. Menores escores de mRFEI foram associados a menor escolaridade e ao uso de insulina. Além disso, os participantes randomizados para o grupo controle apresentaram escore médio de mRFEI significativamente maior em comparação aos do grupo intervenção (42,19 ± 23,9 vs 31,9 ± 25,2; p = 0,012), indicando um ambiente alimentar com maior disponibilidade relativa de alimentos saudáveis entre os indivíduos do grupo controle. Foram identificados um total de 17 indivíduos em desertos alimentares (11,5% da amostra), sendo a maioria de regiões periféricas de Porto Alegre. Na amostra total, observamos uma redução do número de ultraprocessados consumidos de 3,2 ± 1,8 para 1,9 ± 2,0 (p = 0,015). Entretanto, essa mudança no consumo não esteve associada ao ambiente alimentar, avaliado pelo mRFEI. A ampliação do tamanho amostral poderá confirmar ou não os resultados observados até o momento. ...
Abstract
Type 2 diabetes mellitus (T2DM) is a chronic and highly burdensome condition, both for individuals, due to its numerous complications and consequent reduction in quality of life, and for healthcare systems. Although national and international guidelines recognize the relevance of nutritional therapy in the management of T2DM, adherence to treatment is considered one of the greatest challenges. Barriers in this process are numerous and multifactorial, including access to healthy foods, which is ...
Type 2 diabetes mellitus (T2DM) is a chronic and highly burdensome condition, both for individuals, due to its numerous complications and consequent reduction in quality of life, and for healthcare systems. Although national and international guidelines recognize the relevance of nutritional therapy in the management of T2DM, adherence to treatment is considered one of the greatest challenges. Barriers in this process are numerous and multifactorial, including access to healthy foods, which is strongly conditioned by the food environment. Barriers to adherence are multifactorial and include access to healthy foods, which is strongly shaped by the food environment. This study examined the relationship between dietary intake and the food environment among outpatients with type 2 diabetes. A cohort study nested within a randomized controlled trial (RCT) was conducted, including 147 participants who received either standard nutritional counseling (n = 79; control) or counseling supplemented with participation in food education groups (n = 68; intervention). The food environment was assessed using an 800-meter circular buffer centered on each participant’s residence. Data on food retail establishments were obtained from the Brazilian Federal Revenue Service database and spatially overlaid onto the buffers. The modified Retail Food Environment Index (mRFEI) was calculated for each participant using the proportion of establishments classified as healthy relative to those predominantly offering ultra-processed foods. Changes in dietary intake were assessed using 24-hour dietary recalls collected at baseline and at the second follow-up visit, conducted four months after enrollment. Reported foods were categorized according to the NOVA classification into unprocessed or minimally processed foods, processed culinary ingredients, processed foods, and ultra-processed foods. Changes in food consumption were analyzed using mean differences in the number of reported foods between visits. Analysis of variance (ANOVA) was used to examine associations between mRFEI and sociodemographic, anthropometric, clinical, and lifestyle variables. Simple linear regression was then applied to assess the relationship between the food environment (mRFEI) and changes in dietary intake, reporting regression coefficients (β), p-values, and 95% confidence intervals (95% CI). Statistical significance was set at p < 0.05. Among the 147 participants, 56.5% were women, with a mean age of 59±8.5 years, mean diabetes duration of 16±8.7 years, mean BMI of 32.4±5.84 kg/m², and mean HbA1c of 9.3±1.2%. Lower mRFEI scores were associated with lower educational attainment and insulin use. Participants in the control group had significantly higher mean mRFEI scores compared with those in the intervention group (42.19±23.9 vs. 31.9±25.2; p = 0.012), indicating a relatively healthier food environment among individuals allocated to the control arm. A total of 17 participants (11.5%) were classified as living in food deserts, most of whom resided in peripheral areas of Porto Alegre. In the overall sample, there was a reduction in the number of ultra-processed foods consumed, decreasing from 3.2 ± 1.8 to 1.9 ± 2.0 (p = 0.015). However, this change in consumption was not associated with the food environment as assessed by the mRFEI. Increasing the sample size may confirm or refute the results observed to date. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Curso de Nutrição.
Coleções
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TCC Nutrição (650)
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