Fatores associados à prática de episiotomia e ocorrência de laceração no parto vaginal
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Data
2022Autor
Orientador
Nível acadêmico
Graduação
Resumo
Introdução: A realização de episiotomias se generalizou a partir do século XX, com a institucionalização do parto e o caráter intervencionista dos obstetras da época, com o intuito de diminuir o risco de lacerações perineais graves nas parturientes. No entanto, com o tempo, esta prática se tornou procedimento rotineiro nos hospitais de todo mundo, muitas vezes sendo praticada sem o respaldo de nenhuma evidência científica que comprove sua necessidade. Em vista disso, em 1996, a Organização mund ...
Introdução: A realização de episiotomias se generalizou a partir do século XX, com a institucionalização do parto e o caráter intervencionista dos obstetras da época, com o intuito de diminuir o risco de lacerações perineais graves nas parturientes. No entanto, com o tempo, esta prática se tornou procedimento rotineiro nos hospitais de todo mundo, muitas vezes sendo praticada sem o respaldo de nenhuma evidência científica que comprove sua necessidade. Em vista disso, em 1996, a Organização mundial da Saúde publicou uma classificação, baseada em evidências científicas concluídas por meio de pesquisas feitas em todo o mundo, das práticas comuns na condução do parto de risco obstétrico habitual, orientando as práticas recomendadas na atenção ao parto e instituindo uma recomendação de uma taxa máxima de 10% de episiotomia por instituição. Nessa orientação, o uso liberal e rotineiro da episiotomia é considerado uma prática frequentemente usada de modo inadequado, não pautada nas boas práticas obstétricas que, além de comprovadamente favoráveis e baseadas em evidências científicas, respeitam o processo fisiológico do parto e apresentam melhores desfechos maternos e neonatais. Objetivo: Analisar os fatores associados à prática de episiotomia e laceração no parto vaginal. Metodologia: Trata-se de estudo transversal desenvolvido na Unidade de Internação Obstétrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), sendo aplicado questionário, a fim de identificar os dados referentes à caracterização das puérperas e recém-nascidos e história obstétrica, em 238 mulheres adolescentes e adultas no pós-parto, atendidas pelo Sistema Único de Saúde, cujo parto ocorreu na Unidade de Centro Obstétrico do HCPA no período de março a agosto de 2022. Foi realizada análise descritiva das variáveis. O projeto foi aprovado pela Comissão de Pesquisa da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA. Resultados parciais: A prática da episiotomia ocorreu em 29,4% das mulheres, lacerações em 47,1% e em 2,9% ocorreu prática da episiotomia e laceração concomitantemente. A maioria das mulheres encontrava-se na faixa etária de 15 a 35 anos (88,7%), se autodeclararam brancas (63%), tinham ensino médio completo (41,6%), eram primigestas (42,4%) e primíparas (46,6%) tiveram parto vaginal a termo (90,8%) e não instrumentalizado (96,2%). Os recém-nascidos, a maioria era adequado para a idade gestacional (79%), tinha apgar no 1º minuto de vida ≥7 (96,2%) e apgar no 5º minuto também ≥7 (99,6%). A ocorrência da prática de episiotomia foi maior em mulheres na faixa etária entre 15 e 35 anos (94,3%), primíparas (72,9%), que fizeram uso de analgesia (75,7%) e ocitocina (84,3%) durante o trabalho de parto atual, com recém nascidos adequados para idade gestacional (78,6%) com o apgar de 1º (98,6%) e 5º (100%) minuto de vida ≥7. Já a ocorrência de lacerações foi mais frequente em mulheres da mesma faixa etária entre 15 e 35 anos (85,7%), porém em sua maioria multíparas (57,1%) que também fizeram uso de ocitocina durante o trabalho de parto atual (75,9%), com recém nascidos adequados para idade gestacional (77,7%) com o apgar de 1º (96,4%) e 5º (100%) minuto de vida ≥7. Conclusão: Os achados podem gerar contribuições significativas para a mensuração e análise das boas práticas de atenção no nascimento e assim gerar reflexões sobre o cuidado prestado às parturientes, visando melhorias com foco no cuidado humanizado e baseado em evidências científicas que indubitavelmente pode contribuir para a redução das taxas de episiotomia. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Enfermagem. Curso de Enfermagem.
Coleções
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TCC Enfermagem (1347)
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