Infâncias marginalizadas; a margem enquanto potência brincante e inventiva
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Data
2024Orientador
Nível acadêmico
Graduação
Assunto
Resumo
Este trabalho aborda as práticas, discursos e imaginários sociais que associam crianças negras, dissidentes e em situação de vulnerabilidade social aos estigmas da marginalização. A Psicologia, historicamente, contribuiu para a construção desses estigmas ao idealizar uma “infância ideal” vinculada aos valores da branquitude, da heteronormatividade e da classe dominante. Infâncias que fogem desse modelo têm, frequentemente, suas narrativas silenciadas ou estigmatizadas pelo epistemicídio acadêmi ...
Este trabalho aborda as práticas, discursos e imaginários sociais que associam crianças negras, dissidentes e em situação de vulnerabilidade social aos estigmas da marginalização. A Psicologia, historicamente, contribuiu para a construção desses estigmas ao idealizar uma “infância ideal” vinculada aos valores da branquitude, da heteronormatividade e da classe dominante. Infâncias que fogem desse modelo têm, frequentemente, suas narrativas silenciadas ou estigmatizadas pelo epistemicídio acadêmico. As práticas direcionadas a essas infâncias são permeadas por políticas de dominação, como o racismo estrutural e institucional (ALMEIDA, 2019) e a Necroinfância (NOGUERA, 2020). O presente trabalho propõe como objetivo possibilitar os protagonismos e escuta das vozes de infâncias em suas pluralidades — especialmente negras, LGBTQIAPN+ e periféricas — destacando suas táticas de enfrentamento (NOGUERA, 2019) e resistência das opressões, por meio da experimentação da infância, que constitui modos outros de pensar, sentir e existir no mundo. A metodologia adotada se inspira na Escrevivência (EVARISTO, 2017) através da escrita de histórias ficcionais inspiradas em encontros-memórias com infâncias plurais, narrando infâncias interseccionalizadas e potentes que se encontram e se reencontram em muitas outras, na coletividade. Desse modo, evidencia-se o lugar da margem enquanto possibilidade de afirmação das potencialidades de infâncias plurais, emergindo enquanto local de potência e resistência, pela experiência da infância em sua constituição brincante e inventiva. Em conclusão, essa produção se afirma enquanto contribuição política e afetiva para o campo da Psicologia— que possui a necessidade de reparação e ressignificação de suas práticas e discursos, as quais influenciaram o imaginário popular dos estigmas da marginalização associados a infâncias negras, lgbtqiapn+ e pobres. Desse modo, evidencia-se a iminência de que haja uma transformação nas metodologias e abordagens da área— que sejam antirracistas, antiadultocêntricas e não hegemônicas, que constituam uma Psicologia com as infâncias, possibilitando espaços que promovam a escuta e acolhimento implicado de vozes de infâncias plurais, bem como, a afirmação de suas identidades, narrativas, potencialidades, culturas e saberes. ...
Abstract
This paper addresses the practices, discourses, and social imaginaries that associate Black children, dissidents, and those in situations of social vulnerability with the stigmas of marginalization. Psychology, historically, has contributed to the construction of these stigmas by idealizing an “ideal childhood” linked to the values of whiteness, heteronormativity, and the dominant class. Children who deviate from this model often have their narratives silenced or stigmatized by academic epistem ...
This paper addresses the practices, discourses, and social imaginaries that associate Black children, dissidents, and those in situations of social vulnerability with the stigmas of marginalization. Psychology, historically, has contributed to the construction of these stigmas by idealizing an “ideal childhood” linked to the values of whiteness, heteronormativity, and the dominant class. Children who deviate from this model often have their narratives silenced or stigmatized by academic epistemicide. Practices directed at these children’s lives are permeated by domination policies, such as structural and institutional racism (ALMEIDA, 2019) and Necrochildhood (NOGUERA, 2020). The objective of this paper is to enable protagonism and the listening to the voices of childhood in their pluralities—especially those of Black, LGBTQIAPN+, and peripheral children—highlighting their coping strategies (NOGUERA, 2019) and resistance to oppression, through the experience of childhood, which constitutes other ways of thinking, feeling, and existing in the world. The methodology adopted is inspired by Escrevivência (EVARISTO, 2017) through the writing of fictional stories inspired by encounters and memories with plural childhoods, narrating intersectional and powerful childhoods that meet and reconnect in many others, in collectivity. Thus, the marginalized position is emphasized as a possibility for affirming the potentialities of plural childhoods, emerging as a space of power and resistance, through the playful and inventive experience of childhood. In conclusion, this work affirms itself as a political and affective contribution to the field of Psychology, which needs accessories and a re-signification of its practices and discourses, which have influenced the popular imaginary of the stigmas of marginalization associated with Black, LGBTQIAPN+, and poor childhoods. In this way, it underscores the imminent transformation in the methodologies and approaches of the field—those that are anti-racist, anti-adultist, and non-hegemonic, establishing a Psychology with childhoods, enabling spaces that promote listening and the welcoming of plural childhood voices, as well as the affirmation of their identities, narratives, potentialities, cultures, and knowledge. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação Humana. Curso de Psicologia.
Coleções
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TCC Psicologia (512)
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