Efeitos da interrupção da terapia de reposição enzimática (TRE) em modelo murino de mucopolissacaridose tipo 1

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Data
2015Orientador
Co-orientador
Nível acadêmico
Graduação
Resumo
A terapia de reposição enzimática para MPS I (Mucopolissacaridose tipo I) foi aprovada a mais de uma década, e vem sendo amplamente aplicada. Embora seja eficiente em corrigir alguns aspectos da doença, os pacientes precisam obter a enzima pelo Sistema Público de Saúde, um processo que envolve demandas judiciais, e eventualmente acarreta na interrupção do tratamento. Portanto, nesse trabalho buscamos avaliar os efeitos da interrupção do tratamento de TRE (Terapia de Reposição Enzimática) e sua ...
A terapia de reposição enzimática para MPS I (Mucopolissacaridose tipo I) foi aprovada a mais de uma década, e vem sendo amplamente aplicada. Embora seja eficiente em corrigir alguns aspectos da doença, os pacientes precisam obter a enzima pelo Sistema Público de Saúde, um processo que envolve demandas judiciais, e eventualmente acarreta na interrupção do tratamento. Portanto, nesse trabalho buscamos avaliar os efeitos da interrupção do tratamento de TRE (Terapia de Reposição Enzimática) e sua posterior reintrodução em camundongos com MPS I. Para isso, analisamos quatro grupos de animais. No primeiro grupo, os camundongos MPS I foram tratados com TRE (Laronidase®, 1,2 mg / kg a cada 2 semanas) desde o nascimento, sem interrupção. Um segundo grupo de camundongos teve o mesmo tratamento, porém com interrupção dos 2 aos 4 meses. Estes camundongos foram comparados a camundongos normais e MPS I não tratados. Analisamos os níveis de GAGs (glicosaminoglicanos) urinários e teciduais, a função cardíaca, o comportamento, a distensão da parede da aorta, a presença de neuroinflamação e a formação de anticorpos. Todos os animais foram eutanasiados aos 6 meses. Nossos resultados mostraram que os níveis de GAGs apresentaram redução considerável em todos os órgãos com o tratamento iniciado logo após o nascimento. Porém, também vimos que em certos órgãos como o coração, o córtex cerebral e a aorta, a interrupção do tratamento levou à perda parcial dos efeitos benéficos do mesmo. Aos 6 meses, os animais com o tratamento interrompido e reintroduzido apresentaram testes comportamentais, parâmetros de funções cardíacas e espessura da parede da aorta piores, quando comparados aos animais sem interrupção. A interrupção do tratamento não conduziu à formação de anticorpos após a sua reintrodução, sugerindo que a TRE neonatal induz uma tolerância imunológica que foi mantida. Esses dados sugerem que a interrupção do tratamento pode ter efeitos deletérios sobre os órgãos que, durante o curso da doença, sofrem mudanças estruturais, tais como as aortas. Além disso, os níveis de GAGs urinários podem não refletir com precisão o estado da doença, uma vez que não se apresentaram alterados mesmo depois de algumas semanas de interrupção, independentemente da existência de efeitos deletérios nos outros órgãos. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Ciências Básicas da Saúde. Curso de Biomedicina.
Coleções
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TCC Biomedicina (283)
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