Violência obstétrica : entre a percepção das mulheres e as práticas de assistência ao parto
Fecha
2024Autor
Otro título
Obstetric violence : between women’s perception and childbirth care practices
Violencia obstétrica : entre la percepción de las mujeres y las prácticas de atención al parto
Materia
Resumo
Introdução: A assistência ao parto é composta de práticas que interferem diretamente no sentimento de segurança, bem-estar e satisfação das mulheres. Procedimentos aplicados sem indicação ou sem consentimento podem provocar danos e interferir na experiência de parto, configurando-se como violência obstétrica. Objetivo: Identificar a prevalência de práticas recomendadas e não recomendadas na assistência ao parto, segundo a Organização Mundial da Saúde, bem como a percepção das mulheres em terem ...
Introdução: A assistência ao parto é composta de práticas que interferem diretamente no sentimento de segurança, bem-estar e satisfação das mulheres. Procedimentos aplicados sem indicação ou sem consentimento podem provocar danos e interferir na experiência de parto, configurando-se como violência obstétrica. Objetivo: Identificar a prevalência de práticas recomendadas e não recomendadas na assistência ao parto, segundo a Organização Mundial da Saúde, bem como a percepção das mulheres em terem vivenciado desrespeito, maus-tratos ou humilhação no parto. Métodos: Estudo transversal, com 287 mulheres selecionadas aleatoriamente em duas maternidades de Porto Alegre, pública e privada, em 2016. As puérperas responderam a um questionário estruturado, face a face, quatro semanas após o parto, sobre aspectos socioeconômicos, histórico de saúde, experiência de parto (práticas e intervenções) e percepção de ter sofrido desrespeito, maus-tratos ou humilhação pelos profissionais. Resultados: Das intervenções não recomendadas de rotina, o uso de ocitocina foi a mais prevalente (56%), seguido da amniotomia (48,5%) e da episiotomia (37,1%). A manobra de pressão fúndica uterina (Kristeller) foi realizada em 11,3% dos partos; quando estratificado por maternidade, a prevalência foi de 25,7% na privada e 8,2% na pública. A amniotomia ocorreu em 48,5% dos partos, 55,4% daqueles realizados na maternidade pública e 14,7%, na maternidade privada. A taxa geral de cesariana foi de 48,1%, 31,4% na maternidade pública e 82,8% na maternidade privada. A percepção de ter sido desrespeitada, maltratada ou humilhada ocorreu para 12,5% das mulheres entrevistadas, 14,9% na maternidade pública e 7,5% na maternidade privada. A taxa geral de cesariana foi de 48,1%, 31,4% na maternidade pública e 82,8% na maternidade privada. A percepção de ter sido desrespeitada, maltratada ou humilhada ocorreu para 12,5% das mulheres entrevistadas, 14,9% na maternidade pública e 7,5% na maternidade privada. Quanto às boas práticas de assistência, o incentivo a ter acompanhante, a oferta de líquidos e alimentos, o incentivo à movimentação durante o trabalho de parto, a percepção de ter sido acolhida na maternidade e o contato pele a pele foram mais frequentes na maternidade pública. Já o sentimento de estar à vontade para fazer perguntas e participar das decisões foi mais frequente na maternidade privada. Conclusões: É frequente a aplicação de práticas não recomendadas de rotina na assistência ao parto em ambas as maternidades. A maternidade pública apresentou maior prevalência de boas práticas em comparação com a privada. A prevalência de práticas não recomendadas é superior à prevalência de ter sofrido desrespeito, humilhação ou maus-tratos no parto, pela percepção das puérperas, o que sugere o não reconhecimento pelas mulheres de situações de violência. Nesse cenário, a atenção pré-natal é um espaço de troca de informações sobre boas práticas e reconhecimento de práticas consideradas como violência obstétrica. ...
Abstract
Introduction: Childbirth care includes practices that interfere directly in the women’s sense of safeness, well-being and satisfaction. Procedures that are performed without indication or the women’s consent can harm the health of women and their babies and impact their childbirth experience, configuring obstetric violence. Objective: To identify the prevalence of recommended and non-recommended practices in childbirth care, according to the World Health Organization, and the women’s perception ...
Introduction: Childbirth care includes practices that interfere directly in the women’s sense of safeness, well-being and satisfaction. Procedures that are performed without indication or the women’s consent can harm the health of women and their babies and impact their childbirth experience, configuring obstetric violence. Objective: To identify the prevalence of recommended and non-recommended practices in childbirth care, according to the World Health Organization, and the women’s perception of disrespect, mistreatment and abuse. Methods: Cross-sectional study including 287 postpartum women randomly selected in two facilities (private and public) in the city of Porto Alegre in 2016. The participants responded to face-to-face interviews 4 weeks after delivery. A structured questionnaire was used, including variables regarding socioeconomical status, obstetric history, birth experience (care provided and interventions) and the perception of having experienced disrespect, mistreatment, or humiliation by healthcare professionals. Results: Among the interventions, the use of synthetic oxytocin was the most prevalent (56%), followed by amniotomy (48.5%) and episiotomy (37.1%). Uterine fundal pressure maneuver was used in 11.3% of the deliveries; within the private facility, the prevalence was 25.7% compared to 8.2% in the public. Amniotomy was performed in 48.5% of the deliveries; 55.4% in the public facility as opposed to 14.7% in the private. The cesarean section rate in the total sample was 48.1%; however, the rate in the private facility was 82.8%. The proportion of women who felt they were a victim of disrespect, mistreatment or abuse was 12.5%: 14.9% within the public hospital and 7.5% within the private hospital. As for good practices, the incentive to have a companion, the offer of liquids and food, the incentive to move around during labor, the perception of having been welcomed in the maternity ward and skin-to-skin contact were more frequent in the public facility. The feeling of being comfortable asking questions and participating in decisions was more frequent in the private maternity hospital. Conclusions: The application of non-recommended routine practices in childbirth care is frequent in both maternity hospitals. The public maternity hospital showed a higher prevalence of good practices compared to the private one. The prevalence of non-recommended practices is higher than the prevalence of experiencing disrespect, humiliation, or mistreatment during childbirth, as perceived by the postpartum women, suggesting a lack of recognition by women of situations of violence. In this scenario, prenatal care provides a space for exchanging information about good practices and raising awareness about practices considered obstetric violence. ...
Resumen
Introducción: La asistencia al parto está compuesta por prácticas que afectan directamente el sentimiento de seguridad, bienestar y satisfacción de las mujeres. Los procedimientos aplicados sin indicación o sin consentimiento pueden provocar daños e interferir en la experiencia de parto, configurándose como violencia obstétrica. Objetivo: Identificar la prevalencia de prácticas recomendadas y no recomendadas en la asistencia al parto, según la Organización Mundial de la Salud, así como la perce ...
Introducción: La asistencia al parto está compuesta por prácticas que afectan directamente el sentimiento de seguridad, bienestar y satisfacción de las mujeres. Los procedimientos aplicados sin indicación o sin consentimiento pueden provocar daños e interferir en la experiencia de parto, configurándose como violencia obstétrica. Objetivo: Identificar la prevalencia de prácticas recomendadas y no recomendadas en la asistencia al parto, según la Organización Mundial de la Salud, así como la percepción de las mujeres respecto a haber experimentado falta de respeto, maltrato o humillación en el parto. Métodos: Estudio transversal con 287 mujeres seleccionadas aleatoriamente en dos maternidades de Porto Alegre, una pública y otra privada, en 2016. Las puérperas respondieron a un cuestionario estructurado, cara a cara, cuatro semanas después del parto, sobre aspectos socioeconómicos, antecedentes de salud, experiencia de parto (prácticas e intervenciones) y percepción de haber sufrido falta de respeto, maltrato o humillación por parte de los profesionales. Resultados: De las intervenciones no recomendadas de rutina, el uso de oxitocina fue el más prevalente (56%), seguido de la amniotomía (48,5%) y la episiotomía (37,1%). La maniobra de presión fundal uterina (Kristeller) se realizó en el 11,3% de los partos; al estratificar por maternidad, la prevalencia fue del 25,7% en la privada y del 8,2% en la pública. La amniotomía ocurrió en el 48,5% de los partos, siendo el 55,4% en la maternidad pública y el 14,7% en la privada. La tasa general de cesáreas fue del 48,1%, con un 31,4% en la maternidad pública y un 82,8% en la privada. La percepción de haber faltado el respeto, maltratada o humillada se dio en el 12,5% de las mujeres entrevistadas: un 14,9% en la maternidad pública y un 7,5% en la privada. En cuanto a las buenas prácticas de asistencia, el fomento de tener un acompañante, la oferta de líquidos y alimentos, el estímulo a la movilidad durante el trabajo de parto, la percepción de haber sido acogida en la maternidad y el contacto piel a piel fueron más frecuentes en la maternidad pública. Por otro lado, el sentimiento de estar cómoda para hacer preguntas y participar en las decisiones fue más frecuente en la maternidad privada. Conclusiones: Es frecuente la aplicación de prácticas no recomendadas de rutina en la asistencia al parto en ambas maternidades. La maternidad pública presentó una mayor prevalencia de buenas prácticas en comparación con la privada. La prevalencia de prácticas no recomendadas es superior a la prevalencia de haber sufrido falta de respeto, humillación o maltrato en el parto, según la percepción de las puérperas, lo que sugiere un escaso reconocimiento por parte de las mujeres de situaciones de violencia. En este escenario, la atención prenatal es un espacio para el intercambio de información sobre buenas prácticas y el reconocimiento de prácticas consideradas violencia obstétrica. ...
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Revista brasileira de medicina de família e comunidade. Vol. 19, n. 46 (Jan./Dez. 2024), 3852
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